O jogo que se dane, o negócio é falar de arbitragem

23/10/2015 19:41

O jogo que se dane, o negócio é falar de arbitragem

O jogo que se dane, o negócio é falar de arbitragem

Desde que Leandro Vuaden apitou o fim de Fluminense 2 x 1 Palmeiras, praticamente só se falou em arbitragem. Se foi pênalti ou não em Zé Roberto, se o gol de Amaral foi bem o mal validado. Não se fala, ou pouquíssimo se fala, na vantagem do Flu, quem jogou bem, quem jogou mal. E o mais curioso: os lances mais polêmicos mostram a quem defende o uso do recurso eletrônico para ajudar os pobres diabos homens de preto que em alguns lances nem o recurso eletrônico tira a dúvida - ou, pelo menos, os recursos eletrônicos de que dispomos hoje.



Vamos primeiro esclarecer onde acho que se deveria ter o auxílio eletrônico. Basicamente, em lances onde não há interpretação possível - ou é, ou não é. Exemplo: se a bola entrou ou não, se a falta foi na área (incluindo a linha) ou fora da área, se o jogador estava impedido ou não, se a bola tocou na mão do defensor, se foi este ou aquele atleta que cometeu uma falta de cartão. E a eletrônica deve, por definição e em regra, atuar para auxiliar o árbitro, não para que ela decida. Exemplo: a imagem pode mostrar toque de mão mas, com essa informação, é o árbitro que decide se foi mão na bola ou bola na mão. Outra: o árbitro Ricardo Marques Ribeiro entendeu que Rodrigo, do Vasco, cometeu pênalti contra a Chapecoense. Mas a eletrônica teria mostrado ele que Rodrigo NÃO TOCOU COM A MÃO A BOLA, mas com a cintura.



O que quero dizer é que não se pode tirar a decisão do árbitro, ou ele deixa de ser necessário no jogo. A eletrônica, nos casos acima, é fundamental, mas não podemos criar um monstro, é preciso deixar claro que ela apenas vai auxiliar os seres humanos que arbitram uma partida.



No caso do gol de Amaral, só uma tecnologia em 3D poderia dizer que parte de que jogador estava mais próxima da linha de fundo. Pela câmera lateral, é simplesmente impossível determinar. Já vi versões que dizem que o assistente acertou, outras que errou. Pela primeira vez em décadas eu admito: não consegui ver, depois da 20ª tentativa o que aconteceu. Como cobrar acerto absoluto do trio de árbitros?



Em outros casos, me parece um erro da mídia ficar martelando sobre acerto ou erro. O pênalti em Zé Roberto é o mais clássico dos clássicos de interpretação. A torcida do Fluminense berra que não foi pênalti. A do Palmeiras nem pisca de que foi. Os demais estão divididos. Eu acho que tecnicamente não foi, mas acho que o árbitro viu pênalti e tendo a achar que se eu estivesse arbitrando também daria pênalti. Explico.



O movimento de Gum é errado. Ele não deveria usar o braço para barrar Zé Roberto, em seguida colocando o cotovelo nas costas do palmeirense. Só aí já abriu a brecha para a falta. Não tenho condições de saber se ele usou força suficiente para derrubar o oponente, acho que não, mas só acho. Zé Roberto foi extremamente sensível e ágil, pois não dobra a perna, faz o movimento preciso de arrear o tronco, como se a força aplicada por Gum o derrubasse. Ora, Vuaden, em fração de segundos, num lance rapidíssimo, viu Gum se apoiar, viu o movimento compatível de Zé Roberto, marcou pênalti. Não há o que discutir - muito menos dar o patético piti que o confuso presidente do Fluminense deu.



A arbitragem brasileira não é boa, e é difícil defender um árbitro que não consegue ver quem faz uma falta na bandeirinha de córner sobre um goleiro, e erra quem leva o cartão. Mas a cobrança que se faz com eles, num jogo cada vez mais físico e mais veloz, é covarde e desumana.


3684 visitas - Fonte: Globo Esporte

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