29/5/2020 09:51

Copa Rio apresentou Palmeiras ao mundo e resgatou orgulho do Brasil

Na tentativa de resgatar o orgulho nacional após a derrota para o Uruguai na Copa do Mundo 1950, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) organizou o primeiro importante campeonato internacional envolvendo clubes um ano depois. Desta forma, coube ao Palmeiras, no dia 22 de julho, no mesmo Maracanã que foi palco da vitória celeste, fazer a nação voltar a vibrar com o futebol: o time do Palestra Itália venceu a Juventus, da Itália, na decisão.



“Palmeiras, campeão do mundo”, publicou o jornal A Gazeta Esportiva no dia seguinte à decisão. O diário também destacou a mobilização da torcida pelas ruas de São Paulo, que buscava informações sobre o jogo realizado no Rio de Janeiro. O carioca O Globo, por sua vez, mostrou que a antiga rixa entre os dois estados estava amenizada com a conquista e exibiu a foto dos 11 jogadores do time “campeão dos campeões do mundo” em sua capa.

Se uma das intenções da CBD era apagar a imagem da derrota para o Uruguai, o desempenho palestrino foi fundamental. Na transmissão da Rádio Continental, o narrador Oduvaldo Cozzi, com a proximidade do título alviverde no Maracanã, descrevia: “A torcida prorrompe o grito de Brasil, Brasil e Brasil”. Já na paulistana Rádio Panamericana, após o apito final, Pedro Luiz afirmou: “O Palmeiras dá o primeiro grande título internacional do futebol ao Brasil”.

A campanha alviverde ao longo da Copa Rio, porém, não foi fácil. Com oito clubes participantes, a competição foi dividida em duas sedes: Pacaembu e Maracanã. Em São Paulo, o anfitrião Palmeiras dividia o grupo com o francês Nice, o iugoslavo Estrela Vermelha e a italiana Juventus. Na outra chave, o Vasco recebeu o uruguaio Nacional, o português Sporting e o Áustria Viena.

Depois de ganhar as últimas edições do Paulista e do Rio-São Paulo, o Palmeiras chegou com força ao torneio internacional e confirmou o favoritismo ao vencer o Nice, por 2 a 0, e o Estrela Vermelha, por 2 a 1, nos dois primeiros jogos. A vaga nas semifinais estava garantida, mas ainda era preciso disputar o primeiro lugar da chave. Diante da Juventus, a equipe do Palestra Itália não repetiu as mesmas atuações, foi goleada por 4 a 0, em uma “autêntica catástrofe para o futebol brasileiro”, e passou a não ser mais cotada como favorita.



A histórica capa do jornal A Gazeta Esportiva após o título da Copa Rio 1951 (Foto: Acervo/Gazeta Press)

Com o resultado, o Palmeiras teria que enfrentar o Vasco, líder do outro grupo. Ainda invicto, o time de São Januário vivia um momento melhor na competição e ainda jogaria as duas partidas com o apoio da torcida no Maracanã. O time liderado por Jair Rosa Pinto, porém, surpreendeu, vencendo o primeiro jogo por 2 a 1 e segurando o empate sem gols no segundo compromisso. O destaque das semifinais, aliás, também foi uma surpresa: terceiro goleiro, Fábio Crippa assumiu a vaga de Oberdan Cattani e brilhou sob as traves.

A heroica classificação serviu para espantar a desconfiança, mas ainda seria preciso exorcizar o fantasma da primeira fase para conquistar o título, já que na outra semifinal a Juventus também passou pelo Áustria Viena. A história, porém, seria diferente desta vez. Logo no primeiro jogo, novamente no Maracanã, e com apoio da torcida carioca, o ponta-esquerda Rodrigues tratou de garantir a vitória alviverde por 1 a 0 e colocar o Palmeiras em vantagem na final da Copa Rio. Era preciso, no entanto, encarar o forte time italiano mais uma vez.

No dia 22 de julho, Palmeiras e Juventus se reencontraram no gramado do Maracanã, diante de 100.093 pessoas, e iriam decidir o primeiro importante título entre clubes no futebol mundial. Para tirar a vantagem adversária, os estrangeiros terminaram o primeiro tempo vencendo por 1 a 0, com gol de Praest, mas uma substituição na equipe palestrina durante o intervalo mudaria os rumos da partida.

Canhotinho entrou na vaga de Ponce de León e deixou o Palmeiras mais ofensivo. Rodrigues voltou a ser decisivo e empatou o confronto logo aos 3 minutos do segundo tempo, mas a Juventus voltaria a ficar à frente do marcador aos 18, com Boniperti. A redenção brasileira foi confirmada apenas aos 33, quando Liminha entrou com bola e tudo e anotou o segundo do Verdão. Estava definido: 2 a 2 no Maracanã e título no Palestra Itália.



Em São Paulo, não demorou a iniciar os pedidos para que o povo fosse às ruas “saudando o campeão dos campeões no dia da volta de sua mais gloriosa jornada”, como descreveu A Gazeta Esportiva. Já no dia da festividade, o jornal cravou cerca de um milhão de pessoas, com o apoio de são-paulinos e corintianos, pela capital para acolher o Palmeiras. O Alviverde, formado por Fábio Crippa, Salvador e Juvenal; Túlio, Luiz Villa e Dema; Lima, Ponce de León (Canhotinho), Liminha, Jair e Rodrigues, comandado por Ventura Cambon, entrava para a história.

Palmeiras, Verdão, Campeão Mundial



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7218 visitas - Fonte: Gazeta Esportiva

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Drausio Filho     

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