4/8/2020 09:30

Palmeiras tem vantagem contra Corinthians em finais apesar do jejum de 26 anos; veja o retrospecto

Apesar de ser o clássico de maior rivalidade de São Paulo e um dos maiores do Brasil, Corinthians e Palmeiras vão disputar apenas a 12ª final em 103 anos. A vantagem é maior para o lado alviverde, embora sejam 26 anos do último título em jogos eliminatórios.



Corinthians e Palmeiras fazem o primeiro jogo da decisão do Campeonato Paulista nesta quarta-feira (5), às 21h30 (de Brasília). No sábado (8), os rivais voltam a se enfrentar no Allianz Parque, às 16h30, pela taça.

A equipe da zona oeste saiu vencedora em sete das 11 finais oficiais, levando a melhor durante quase todo o século passado, com taça estadual, regional e nacional. Já o clube da zona leste começou a encurtar a distância nos anos 90, sempre no Estadual.

Apesar do primeiro Dérbi datar de maio de 1917, a primeira final entre eles ocorreu somente em 1936, quando ambos terminaram o Estadual empatados em pontos e foi necessário a realização de uma disputa extra, em três jogos.

A "culpa" não era deles pela falta de decisões, mas sim dos regulamentos da época, sempre por pontos corridos.

De qualquer forma, não podia haver momento mais oportuno para eles jogaram a primeira final oficial da história dessa rivalidade. As disputas entre o time da colônia italiana e dos operários estavam no auge. Havia muitos episódios de provocação, brigas campais e até desistência de confrontos ou abandono do campo de jogo. Ainda com seu nome original de batismo, o Palestra Itália havia aplicado as maiores goleadas até então. Atropelou o rival vencendo por 8 a 0 e por 5 a 1 no campeonato de 1933.

Na decisão de 1936, o Palestra venceu o primeiro jogo por 1 a 0, mas o empate sem gols no segundo forçou uma terceira partida. Deu Palestra novamente: 2 a 1, já em maio de 1937. Os jornais destacam que os palestrinos "sobraram"

Em 1938, os palestrinos foram novamente campeões. Dessa vez numa edição extra do Campeonato Paulista de 1938, disputada para evitar que os times ficassem ociosos durante o período de preparação e disputa da Copa do Mundo pela seleção.

Nem é preciso explicar que a rivalidade ganhou mais elementos para se fortalecer após as duas finais. Mas as torcidas esperaram quase duas décadas completas para ver novamente os dois rivais se digladiarem por um título em finais. Somente no Torneio Rio-São Paulo de 1951 e porque Corinthians e Palmeiras (nome que passou a adotar em 1942) terminaram empatados em pontos.

Se o time alviverde era forte nos anos 30, o do começo dos anos 50 era algo além, sendo a equipe que conquistou cinco títulos sequenciais, entre eles a Copa Rio. Na decisão do regional, os palmeirenses nvenceram as duas partidas (3x2 e 3x1).

Depois de um novo hiato, ocorreu a primeira decisão oficial entre eles no Morumbi. Foi em 1974, na edição que poderia fazer o Corinthians sair da fila no Estadual, jejum que estava para completar 20 anos.

Um empate sem gols no primeiro jogo não desanimou os corintianos, mas o gol de Ronaldo (falecido neste ano) no segundo duelo desmoronou a casa alvinegra. A derrota custou até a permanência de Roberto Rivellino no Parque São Jorge.

A era das finais
É muito curioso que se passaram quase duas décadas para os arquirrivais voltassem a se encontrar em uma final, mas, para compensar, os anos 90 foram o período com mais decisões entre eles. E o Corinthians diminuiu a diferença.

Foram duas finais em 1993, ano mágico para os alviverdes. Primeiro do Torneio Rio-São Paulo, então trazido de volta do “mundo dos mortos” após 27 anos sem ser disputado. Depois veio o Campeonato Paulista, aquele em que Viola imitou um porco.

Com a injeção financeira da Parmalat, o Palmeiras contava com uma equipe muito forte e não deu chance para o Corinthians. Faturou ambas as taças, com direito ao fim de jejum de 17 anos sem títulos no Estado.

Em 1994, foi a vez de decidirem o Campeonato Brasileiro. Com um time sem defeitos, parecendo uma verdadeira seleção, o Palmeiras novamente se mostrou superior e saiu campeão contra o time “operário” do rival.

Naquele momento, a torcida palmeirense vibrava com seu sétimo título contra o Corinthians. Algo incrível, considerando o equilíbrio de forças no Dérbi. Mas os torcedores mal podiam crer que seria o último triunfo em uma final contra os alvinegros.

Até aquele momento, o Corinthians não estava zerado no placar. Tinha conquistado o segundo turno do Campeonato Paulista de 1977 batendo o Palmeiras na final por 1 a 0, no Morumbi, um título, digamos, com peso bem menor.

Mas o Paulistão de 1995 começou a mudar a dinâmica entre eles. Com os jogos decisivos no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto, por causa da indisponibilidade do Pacaembu e do Morumbi, a equipe do Parque São Jorge finalmente foi campeã.

Quatro anos depois, já no Morumbi, o Corinthians voltou a soltar o grito de “é campeão”. Foi a decisão mais polêmica, apimentada pelo excesso de jogos decisivos entre eles na década, incluindo a queda corintiana na Copa Libertadores para o Palmeiras.

Quando o placar estava 2 a 2, o atacante Edílson fez algumas embaixadinhas no meio do campo, irritando palmeirenses como Paulo Nunes e Júnior, e deu início a uma briga generalizada. A partida foi encerrada antes do tempo complementar.

Ainda assim, o Corinthians terminou o século passado com o placar de 7 a 3 em finais.

Quase 20 anos depois...
Os grandes hiatos entre os rivais em finais são como uma tradição, pois passaram-se exatos 19 anos para eles voltarem e decidir um título em jogos eliminatórios. Foi em 2018.

Talvez seja a decisão que mais criou rusgas, pois o Corinthians sagrou-se o vencedor do Paulista dentro do Allianz Parque, com direito a parabéns nas placas publicitárias do estádio (“Parabéns, Corinthians”), como parte da festa organizada ao campeão.

Foi o que mais feriu o orgulho palmeirense, pois dentro de campo a equipe alviverde era superior. Venceu em Itaquera por 1 a 0 e bastava um empate para sair campeã. Mas perdeu pelo mesmo placar e, na decisão por pênaltis, foi batida por 4 a 3.

É importante lembrar que a atual diretoria alviverde não "engoliu" um pênalti marcado e depois cancelado pela arbitragem (antes da era do VAR) no jogo no Allianz. A penalidade poderia ter dado o empate para o Palmeiras e, com isso, o título.

8 x 4
No último clássico entre os rivais, disputado na retomada do Paulistão após quase quator meses, o Corinthians passou à frente nos números do Dérbi pela primeira vez desde 11 de dezembro de 1966, contabilizando 128 vitórias contra 127 do rival e 108 empates.

O Palmeiras não usa a mesma contagem como base, pois soma as estatísticas de torneios com duração menor, como o Torneio Início e o Troféu Henrique Mündel, por exemplo. Assim, contabiliza 131 vitórias contra 130 derrotas e 112 empates.

Assim, pelas estatísticas alviverdes, o placar em finais contra o maior rival é um pouco maior a seu favor. A equipe palestrina venceu o time corintiano na decisão de 1935 do Torneio Início por 2 a 1 nos escanteios.

O seja, a equipe de Palestra Itália considera ter uma vantagem de 8 títulos contra 4 vices.

Todas as finais do Dérbi Paulista
Campeonato Paulista
1936 - Palmeiras x Corinthians (2x1), final
1974 - Palmeiras x Corinthians (1x1 e 1x0), final
1977 - Corinthians x Palmeiras (1x0), final do 2º turno
1993 - Palmeiras x Corinthians (0x1 e 4x0), final
1995 - Corinthians x Palmeiras (1x1 e 2x1), final
1999 - Corinthians x Palmeiras (3x0 e 2x2), final
2018 - Corinthians x Palmeiras (0x1 e 1x0; 4x3 nos pênaltis), final

Campeonato Paulista (edição extra)
1938 - Palmeiras x Corinthians (0x0 e 2x1), final

Torneio Rio-São Paulo
1951 - Palmeiras x Corinthians (3x2 e 3x1), final
1993 - Palmeiras x Corinthians (2x0 e 0x0), final

Campeonato Brasileiro
1994 - Palmeiras x Corinthians (3x1 e 1x1), final

Torneio Início (só Palmeiras conta)
1935 – Palmeiras 0x0 Corinthians (2x1 nos escanteios), final

Nota da edição: números e informações baseados nos trabalhos de Celso Unzelte, comentarista da ESPN Brasil, em seus "Almanaque do Corinthians" e "Almanaque do Palmeiras" (com Mário Sérgio Venditti), no acervo da "Folha de S.Paulo" e do "O Estado de S. Paulo". Há uma série de torneios não-oficiais que não foram contabilizados. Assim como não foram contabilizados torneios em que um rival foi campeão sobre o outro em disputa sem final. Por exemplo, Paulista de 1954 e Brasileiro de 2017.



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