Gol de Goleiro

2/12/2020 09:44

Gol de Goleiro

Gol de Goleiro

Acostumado a usar as mãos, Fernando Buttenbender Prass, ironicamente, entrou para a história da Sociedade Esportiva Palmeiras com o pé direito. Há exatos cinco anos, contra o rival Santos, o já experiente goleiro decidiu bater um pênalti pela primeira vez na carreira e garantiu o título que enfim recolocou o clube alviverde entre as potências do cenário nacional.



“Como a gente treinava pênaltis com o Marcelo Oliveira praticamente todos os dias, mesmo não tendo decisões, eu passei a treinar também. Na minha cabeça, era mais ou menos o seguinte: queria estar preparado e, caso não precisasse, não fazia mal, mas, se precisasse, estaria pronto para cobrar. E comecei a bater bem”, contou Prass à Gazeta Esportiva em novembro de 2018, ao lado do gol em que o título foi decidido, no Allianz Parque.



Duas partidas disputadas em 2015 influenciaram o então palmeirense a treinar as cobranças. Pela semifinal do Campeonato Carioca, o Botafogo eliminou o Fluminense (9 x 8) nos pênaltis e, na segunda fase da Copa do Brasil, o Coritiba superou o Fortaleza (11 x 10). Nas duas ocasiões, avançaram os times cujos goleiros foram capazes de converter as respectivas cobranças.



“Na chegada ao estádio, o auxiliar do Marcelo perguntou: ‘Prass, se tiver pênalti, você vai bater?’. Então, eu respondi: ‘Não, não. Não vai ter pênalti’. Mas teve. Quando chegamos no grande círculo para escolher os batedores, estava uma bagunça. Para ter uma noção, o Alecsandro, que não estava nem inscrito na Copa do Brasil, ficou do lado do Marcelo Oliveira para ajudar a escolher os cobradores”, recordou.



Contratado em junho de 2015, Alecsandro já havia disputado a Copa do Brasil pelo Flamengo e, portanto, não podia defender o Palmeiras no mesmo torneio. Em um diálogo com o centroavante, um de seus amigos mais próximos no elenco, Fernando Prass soube que seria o encarregado de cobrar o quinto pênalti da série contra o Santos.





“Perguntaram para mim: ‘Tu bate?’. Eu respondi: ‘Bato’. Aí, o Alecsandro falou: ‘Prass, conversei com o Marcelo e tu vai bater o quinto’. Falei: ‘Beleza’. A gente tinha alguns meninos em campo. O Gabriel havia saído, o Cleiton Xavier não estava jogando. Então, não estávamos com muitos jogadores experientes para cobrar. O Vitor Hugo estava chegando no Palmeiras”, lembrou o goleiro, já com 37 anos e um dos líderes do elenco.



“Se eu deixasse na mão dos meninos, que, de repente, até cobravam melhor, já que eu nunca tinha batido um pênalti na vida, e um deles errasse, ficaria com a consciência pesada de não ter assumido a responsabilidade, pela experiência, idade e tempo de clube. Dizem: ‘Ah, o Prass foi maluco de bater’. Maluco, não, tanto que treinei muito. Se não estivesse preparado, não bateria. Mas foi uma situação muito difícil”, lembrou.



Até a cobrança de Fernando Prass, Zé Roberto, Jackson e Cristaldo haviam convertido pelo Palmeiras, com uma falha de Rafael Marques. Pelo Santos, Geuvânio, Lucas Lima e Ricardo Oliveiram marcaram, mas Marquinhos Gabriel e Gustavo Henrique perderam. Com a chance de garantir o título da Copa do Brasil, o goleiro surpreendeu até o árbitro da partida.



“O Ricardo bateu o pênalti, a bola saiu e o Héber (Roberto Lopes) pegou na mão. Fui para o lado do Héber e ele tirou a bola de mim. Então, falei: ‘Não! Sou eu! Dá aqui! Sou eu que bato!’. Ele disse: ‘É tu?!’. Estava ruim para cobrar ali. O Scarpa escorregou na semi e o Marquinhos, na final. Eu já estava com uma chuteira especial, de trava maior. Como fui o 10º, o pênalti estava muito mexido. Eu bato forte, então tinha que ter cuidado para não isolar”, explicou.



Aos 37 anos, com uma responsabilidade inédita, Prass foi decidido a cobrar exatamente da maneira que treinava na Academia de Futebol. Em seu primeiro pênalti na carreira, o goleiro mirou o canto esquerdo de Vanderlei e viu o santista saltar para o lado oposto. Assim, de forma improvável, o Palmeiras conquistou o primeiro título no Allianz Parque e consolidou seu ganho de terreno após quase cair novamente no Brasileiro 2014.



“Foi uma descarga de adrenalina absurda. Tanto que saí correndo, corri, corri… Dei a volta, fui lá na torcida. Em um momento, pareceu que a energia acabou e caí no chão, só queria respirar. Por uns dois ou três minutos, não conseguia pensar em nada. Meu cérebro não raciocinava e só podia extravasar a adrenalina. Acho que só vou ter a real dimensão disso tudo quando parar e vir aqui com meu filho assistir um jogo”, afirmou.



Ganhador da Série B do Campeonato Brasileiro 2013 e das edições de 2016 e 2018 da Série A, além da Copa do Brasil 2015, Fernando Prass disputou um total de 274 partidas pelo Palmeiras – entre os goleiros, ocupa o oitavo posto na história. Após deixar o clube alviverde a contragosto no fim de 2019, acertou com o Ceará, pelo qual conquistou a última Copa do Nordeste.











Palmeiras, Copa do Brasil, Fernando Prass


5214 visitas - Fonte: Gazeta

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Na verdade eu não queria que ele tivese saido do verdão

Roberto Tolin     

Eternamente grato à ele. Nos ajudou muito. Nos salvou da derrota em muitos jogos inclusive de nova queda pra série b em 2014, quando ficou fora de vários jogos apesar de jogar machucado e no sacrifício. Foi um verdadeiro profissional que amava o clube e deu seu sangue pelo manto. Devemos muito à ele. Só tenho que dizer, muito obrigado e volte sempre, a casa é sua.

Robson Tadeu     

Prass deveria ter ficado e Jailson negociado!!

Meu filho nasceu campeão, no dia que o sao prass fez o gol

Fernando prass é monstrão,grande goleiro deveria ter ficado no palmeiras.

Osmar Perez     

Uma pena ter saido do Palmeiras... Mas merecia encerrar a carreira como titular. Acho que esse foi o maior motivo de sua saida. Não esqueço a partida contra o sport em 2015 no recife, nunca vi tão m goleiro fazer tantos milagres em um só jogo. MONSTRO... Está marcado na história do Palmeiras!

Grande goleiro ficou na história do Palmeiras

José Cândido     

Um dos melhores goleiro do Brasil Fernando Prass

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