– Eu sonhava em jogar em um clube grande, mas não nessa proporção. Nem nos meus maiores sonhos eu imaginava que poderia viver isso hoje.
Quando Breno Lopes disse a frase acima, há duas semanas, em entrevista exclusiva ao ge, muito provavelmente ele nem imaginaria que neste domingo estaria vivendo um sonho ainda maior, mais bonito e especial: campeão da Libertadores e autor do gol do título do Palmeiras.
Mais do que o próprio sonho, o atacante foi o maior responsável por realizar o grande desejo de milhões de palmeirenses espalhados pelo mundo. A obsessão pela Libertadores virou realidade 21 anos depois, a partir da cabeçada certeira de Breno Lopes, aos 53 minutos do segundo tempo.
O roteiro desse gol é mais um daqueles que parecem de filme. Foram várias as circunstâncias e coincidências da vida que colocaram o jogador ali, naquele momento, para escrever seu nome na história.
A última delas foi justamente o que o levou ao Palmeiras, em novembro de 2020. Breno Lopes só foi contratado por conta da lesão de Wesley, um dos destaques do time naquele momento. O Verdão precisava de um jogador de velocidade pelos lados do campo para compôr o elenco. Abel Ferreira vinha observando o bom desempenho dele na Série B, pelo Juventude, e pediu a contratação à diretoria.
A negociação foi rápida. No início, o Palmeiras ofereceu jogadores em troca, mas o clube gaúcho recusou. Na sequência, o acerto da compra de 50% dos direitos por cerca de R$ 7,2 milhões. Houve quem achasse caro na ocasião. Para os palmeirenses, se tornaram os R$ 7,2 milhões mais baratos da história.
Em poucos dias, o atacante fez o último jogo pelo clube gaúcho e aceitou a proposta do Verdão. Nos bastidores, uma coisa era clara: uma contratação para ser mais uma opção no grupo, sem qualquer pressão por virar titular.
Mas, naquela entrevista de duas semanas atrás ao ge, Breno soltou mais uma frase que soa até como uma previsão do que aconteceria na final da Libertadores.
– A gente sabe o quanto é importante essa Libertadores no Brasil, o Palmeiras não ganha há muito tempo, então quando ele (Abel Ferreira) me chamou eu fiquei muito feliz. É o que fala: jogador tem que estar preparado porque a gente não sabe quando vai ser utilizado – falou Breno.
Saída do Cruzeiro, várzea e consagração
O caminho para chegar ao Palmeiras não foi fácil. A história, aliás, é muito parecida com a de milhões de crianças espalhadas pelo Brasil, mas que poucas têm o final feliz como a de Breno Lopes.
Da infância pobre em Belo Horizonte, passando pelos problemas financeiros, dispensas de clubes na juventude e por pouco não ter desistido de jogar futebol para trabalhar, Breno foi formando seu caráter e sua personalidade, forjado pelas dificuldades.
Criado no bairro São Bernardo, em BH, Breno teve a primeira chance na carreira na base do Cruzeiro, mas nunca chegou aos profissionais. Foi dispensado no juvenil e precisou recorrer ao futebol de várzea na capital mineira para seguir em atividade.
– Há cinco anos eu estava no futebol amador e hoje estou desfrutando esse momento. O Palmeiras vinha buscando há bastante tempo esse título, e eu fui premiado – disse Breno na entrevista coletiva após o título.
As pessoas próximas o definem como um garoto batalhador, apegado à família e à religião. Também um pouco tímido, como é possível ver nas entrevistas. Mas muito determinado na busca pelo sonho do sucesso no futebol. E a cidade de Joinville, em Santa Catarina, teve um papel importantíssimo nesse processo.
Foi no Joinville que Breno Lopes recebeu as melhores oportunidades na base. Chegou em 2015, aos 19 anos, após passagem pelo Cerâmica, do Rio Grande do Sul. Como praxe no clube, fez duas semanas de avaliação. O técnico Fabinho Santos, então, pediu mais uma semana para que pudesse analisá-lo melhor, já que havia visto potencial.
– Disse que ele tinha muito mais a dar, ficaria uma semana a mais. O Breno fez treinos muito bons e foi aprovado. Sempre foi um menino bom de trabalhar – relembrou Fabinho.
A primeira grande chance também veio como obra do destino: jogo contra o Flamengo, pela Copa do Brasil Sub-20, em 2015. O atacante titular se machucou. Breno Lopes entrou e ganhou a posição.
Fabinho Santos tem papel essencial na carreira do atacante. Além de ter aprovado o então garoto para a base do Joinville, foi ele quem o subiu para o profissional. E com uma decisão que poderia ter mudado o destino de Breno.
Após uma passagem pelo Juventus, de Santa Catarina, ele retornou ao Joinville, mas estourou a idade do sub-20. Na lista dos jogadores que subiriam da base ao profissional, não estava o nome de Breno Lopes. Ele seria dispensado, mais uma vez, assim como aconteceu no Cruzeiro.
Fabinho Santos, que acabara de assumir a equipe principal, evitou que isso acontecesse.
– Ficamos juntos uns dois anos na base. Eu falei que o queria no meu elenco, e a diretoria aceitou. Ele estava para ser liberado. Não queriam que ele fizesse parte do grupo profissional, mas eu disse que ele ia jogar comigo. Era ele e mais dois atletas que seriam liberados, mas jogavam na base comigo e eu queria no time - contou.
Foram dois anos no profissional do Joinville, que abriram o caminho para ele no futebol brasileiro. Já no Juventude, ainda teve passagens por Figueirense e Athletico antes de retornar ao clube gaúcho e ser comprado pelo Palmeiras.
O carinho que ele deixou em Joinville mostra também um pouco da personalidade do atacante.
– Breno sempre foi um menino de caráter, muito bom de trabalhar, eu não tenho o que reclamar. Sempre deu o melhor dele, na base já mostrava muita velocidade e poder de finalização. Corrigimos alguns vícios, ele tinha que ser mais objetivo. O Breno é um atleta que nos deu muito prazer em poder trabalhar. Ele pagou o preço para isso e está colhendo o que plantou – relembrou Fabinho.
O jornalista Jean Helfenberger, que acompanhou de perto o início, é outro que guarda ótimas recordações de Breno Lopes em Joinville. Os dois mantêm contato até hoje e inclusive trocaram mensagens antes da final da Libertadores.
– Sempre foi um cara muito humilde, muito trabalhador. Acompanhei muito de perto na base. A gente via que era um garoto com muita força, poder de finalização. Ele jogava em várias posições, mas chegou a ser até segundo volante. A gente viu a luta de um garoto que chegou ao Joinville com sangue nos olhos e agora conquistou a glória eterna – falou.
Entre percalços, coincidências, derrotas e vitórias, Breno Lopes construiu sua vida. O capítulo mais bonito ficou reservado para o Maracanã, maior palco do futebol brasileiro. Ali, ele escreveu seu nome na história do Palmeiras e no coração de milhões de torcedores do Palmeiras.
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QUERO RETRATAR O COMENTÁRIO DE ANTES GUANDO DISSE QUE O GOL DE BRENO LOPES FOI O MAIS BONITO! TODOS OS GOLS FORAM IMPORTANTES PRA CHEGADA A CONQUISTA! MAS COMO O GOL DO BRENO FOI O ÚLTIMO E FOI O GOL DO TÍTULO , PRA MIM FOI O GOL MAIS BONITO, ESSA É MINHA OPINIÃO!
Continua assim garotão, Foco, determinação, dedicação que sem dúvida vai trazer muitas alegrias para nós Palmeirenses e assim escrever sua história no verdão.
Parabéns garoto. Vc realizou o sonho de milhões de Palmeirens. Treine mais se dedique ao maximo para nos dar muitas alegrias. Nao deixeos holofotes da vida interromper sua carreira