É quase impossível falar sobre o sucesso do taekwondo nacional sem citar o nome do técnico Reginaldo dos Santos. Comandante do Palmeiras e da Seleção Brasileira da modalidade, o profissional já está no Japão para ajudar o país a conquistar medalhas na Olimpíada de Tóquio, cuja cerimônia de abertura está marcada para o próximo dia 23.
Natural de Mauá, município da região metropolitana de São Paulo, Reginaldo se apaixonou pela arte marcial em 1988, ano em que o taekwondo estreou como esporte de exibição no programa olímpico, em Seul, na Coreia do Sul. “Houve apresentações fantásticas! Depois disso, um dos meus tios começou a praticar taekwondo e isso inspirou outros membros da nossa família a ingressar na modalidade”, conta.
Os primeiros golpes foram dados em uma garagem sem reboque e com chão de barro. Ainda sem tatame, Reginaldo treinava com o irmão, Clayton (também técnico do Brasil), em um tapete emprestado pelo avô. Além da falta de estrutura, o professor precisou superar outro adversário para continuar no universo da luta: aos 11 anos, quase teve a perna direita amputada após sofrer um atropelamento.
As dificuldades, porém, não atrapalharam o sonho de quem nasceu para brilhar. Reginaldo, que trabalha no Verdão há 14 anos, assumiu o seu primeiro clube de alto rendimento em 2003 e já treinou a Seleção nos Jogos de Londres (2012) e do Rio de Janeiro (2016).
No último Mundial de Taekwondo, disputado em 2019 na cidade de Manchester, na Inglaterra, a equipe verde e amarela, sob o comando do treinador palestrino, alcançou o melhor desempenho de sua história ao garantir cinco medalhas (duas de prata e três de bronze).
Em Tóquio, a esperança de pódio do Brasil estará nas mãos e nos pés de três atletas: Edival “Netinho” Marques, Milena Titoneli e Ícaro Miguel, líder do ranking mundial na categoria até 87 kg. Por causa da pandemia da Covid-19, os lutadores tiveram de se isolar em uma chácara no interior de São Paulo para finalizar a preparação.
A expectativa de Reginaldo em relação ao maior evento esportivo do planeta é positiva. “Apesar das dificuldades, fizemos o melhor dentro das nossas condições e vamos representar bem o país”, diz. “Minha maior felicidade é quando, por meio das conquistas dos atletas, vejo a alegria das famílias que lutam, incentivam e acreditam nos sonhos dos seus filhos”, continua.
O técnico destaca ainda o papel fundamental do Palmeiras para que ele não desistisse e crescesse no esporte. “O Palmeiras me deu uma nova motivação, pois pude estudar e disputar um Mundial, em 2009. Só posso agradecer o apoio e a confiança depositada no meu trabalho. Somos uma grande família.”
Aulas no Verdão
Surgido na Coreia do Sul por volta do século VII, o taekwondo é uma arte marcial que significa “caminho dos pés, das mãos e do espírito”. Os praticantes devem utilizar um equipamento de proteção com o intuito de evitar ferimentos causados pelos golpes. Não é permitido agarrar, socar o rosto, atingir abaixo da linha da cintura ou empurrar o adversário. Vence o competidor que conseguir um nocaute ou obtiver o maior número de pontos.
O Palmeiras oferece aulas de taekwondo às quartas e sextas-feiras, em dois períodos: à tarde (iniciação com o professor Felipe Albuquerque) e à noite (treinamento para os atletas que desejam competir em torneios estaduais e nacionais).
É o Palmeiras no cenário Mundial...