O clássico que levou o Palmeiras à semifinal da Libertadores teve um riquíssimo duelo de estratégias, a grande condução de bola de Zé Rafael até entregar o primeiro gol a Raphael Veiga, o preciso chute de Dudu para marcar o segundo, mas também a ótima oportunidade desperdiçada por Pablo. Ingredientes sob medida para alimentar um antigo debate: são os técnicos ou os jogadores os que têm mais influência no destino de uma partida?
Quase sempre, trata-se de uma falsa oposição. Porque, como mostraram os 180 minutos do duelo, o futebol é uma complexa soma entre planos de jogo e a execução. Boas decisões nas áreas técnicas podem potencializar ou inibir as capacidades dos jogadores. Mas nada substitui a capacidade de quem executa qualquer plano, bom ou ruim. Nada substitui o talento.
É natural o foco em Hernán Crespo. Sua decisão inicial de fazer o São Paulo tentar construir jogadas com Léo como terceiro zagueiro e Gabriel Sara como ala não teve o efeito imaginado. Mas é preciso levar em conta que, após um primeiro tempo em que foi dominado, o argentino moveu o time para o 4-3-3 e reagiu no início do segundo tempo. Por um momento, o Palmeiras perdeu referências de marcação e, num jogo que jamais foi farto em oportunidades ao longo dos 180 minutos, Rigoni deu a Pablo a bola do empate. Mas a precisão do atacante, naquele arremate, não foi a mesma que tivera Veiga e que teria Dudu, momentos depois.
É natural o foco em Abel Ferreira, por sua notável capacidade de adaptar seu time para planos específicos em grandes encontros. Nos dois jogos diante do São Paulo, respondeu à marcação por encaixes individuais do rival organizando os seus próprios encaixes. E diante da mudança tática de Crespo para o segundo jogo, o time soube reorganizar a marcação. Marcos Rocha, que na ida buscava Léo, passou a cuidar de Gabriel Sara, enquanto Raphael Veiga foi vigiar o zagueiro. Dudu ficava responsável por Luan e Wesley por Daniel Alves, cabendo a Rony marcar Miranda.
Propositalmente deixado mais livre, Arboleda foi desarmado no primeiro gol. Num jogo tão marcado por duelos individuais, em geral há duas armas: movimentação para tirar marcadores do lugar, ou uma roubada de bola quando o adversário tenta sair jogando. Foi assim que Zé Rafael conduziu contra uma defesa desorganizada para achar Raphael Veiga. Novamente, um jogo marcante da passagem do português pelo Palmeiras foi vencido com importante intervenção dele.
É fato que o jogo pensado por Abel funcionou, mas a vitória do treinador só é possível pela execução dos jogadores. Zé Rafael foi brilhante no lance que abriu o placar, assim como Veiga finalizou com eficácia. Também é fato que o Palmeiras reagiu bem à mudança do São Paulo após a metade da segunda etapa, mas a interferência de Abel Ferreira só virou gol pela capacidade de Dudu e pela onipresença de Danilo no meio-campo, formando com Zé Rafael uma grande dupla no jogo. Já o São Paulo teve erros técnicos quando conseguiu construir espaços.
Neste duelo de ideias, estratégias e execuções de planos, é preciso ponderar que Crespo chegou ao jogo com menos armas. Primeiro, porque seu elenco já é menos farto e menos rico. E depois, porque desde o Estadual o técnico conviveu com ausências importantes. Neste ponto, a responsabilidade precisa ser dividida, e não concentrada no treinador. A Crespo foi encomendado um título estadual, ou uma Copa do Mundo, com todo o risco físico e mental que a exigência impunha a um elenco que não descansara após o fim da temporada de 2020. Difícil dizer que até hoje os efeitos se fazem sentir, porque a onda de lesões vitimou até quem não estava na campanha do Paulista. Mas o fato é que, após a concentração máxima pelo fim do jejum de taças, o time não foi mais o mesmo. E jamais teve suas peças à disposição.
No fim, avançou um Palmeiras que tem mais recursos, das finanças ao elenco. E quem tinha mais talentos para executar as ótimas ideias da área técnica.
Palmeiras
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Estão enchendo o saco com o gol perdido do Pablo, imprensa Gambá/Bambi não se conforma e esqyecem do gol perdido pelo Rony, ainda no 1° tempo, que seria 2x0 e com certeza viria uma goleada mais vexatória do que a ocorreu. Para essa imprensa o arrogante técnico argentino metido a europeu é o máximo só porque ganhou um paulists. O Abel que ganhou libertadores e copa do Brasil, para essa imprensa ridícula ainda é um aprendiz.
Que bonito!!! Elogiou o Abel e os jogadores e depois arrumou uma desculpa pro São Paulo. Com certeza se fossemos nós os perdedores, hoje o Abel e os jogadores estariam sendo massacrados mas como é os bambis pegam leve...vsf