Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, é obcecado pelo lado psicológico de jogadores e equipes. Ele costuma ler vários livros sobre o assunto e levar esse tipo de trabalho a sério em seus clubes.
No Verdão, não é diferente. Desde o ano passado a psicóloga Gisele Silva tem feito esse trabalho diariamente com o elenco comandado pelo português. É comum ver fotos da profissional à beira do campo nos treinamentos, conversando com os atletas.
"A gente olha para as condições de vida, as questões pessoais, como o atleta está se sentindo dentro da instituição, como está sendo o processo de adaptação a tudo que o clube propõe, seja relacionamento, metodologia, regras...", falou Gisele.
"A gente trabalha para que o atleta se adapte dentro do que o clube oferece, não perca seu propósito de vida, não perca sua essência. Que ele consiga atuar, ser quem ele é, mas mantendo o bem estar psicológico dentro dos desafios que o esporte de alto rendimento tem", explicou a psicóloga.
O Palmeiras tem mostrado um lado mental forte desde o ano passado, se recuperando de momentos difíceis e conseguindo dar a volta por cima rapidamente. Um exemplo é a decepção no Mundial de Clubes, no Catar, no início do ano.
Após a campanha ruim, porém, o Palmeiras voltou e foi campeão da Copa do Brasil.
Neste ano, o Verdão perdeu o Paulistão, a Recopa Sul-Americana, a Supercopa, além de ter sido eliminado pelo CRB na Copa do Brasil. Mesmo com essas decepções, hoje o time está na semifinal da Libertadores e é o vice-líder do Brasileirão.
Na visão do atacante Rony, o trabalho psicológico tem sido fundamental nos momentos de recuperação do Palmeiras.
"A gente não deixou que esses jogos abalassem a gente. Sabemos que o psicológico abala muitas vezes, mas nós temos o dever de controlar a nossa mente. Muitas vezes é algo psicológico. Temos nossa psicóloga, que conversa diariamente com a gente, vamos na sala dela pra conversar. O Palmeiras nos dá todo esse suporte", disse o atacante.
"Se fosse outro clube, todos iriam falar que estava no desespero. E o Palmeiras é um clube grande, tem uma estrutura gigantesca para dar todo esse suporte. Cada jogador tem seu pensamento, sabe o que quer para vida dele, sabe que nem na vitória e nem na derrota tem que refletir na vida dele", completou.
Gisele Silva está no Palmeiras há 12 anos. Passou pelo futsal, pelas categorias de base e desde o ano passado trabalha na equipe profissional. Hoje, faz parte cada vez mais do dia a dia dos atletas.
"Acompanho os treinos, faço ponderações com os atletas à beira de campo quando tem a necessidade, vou atualizando demandas específicas que vou ter com ele. Nesse contexto do esporte, o psicólogo consegue transitar em várias áreas. A ideia é que a gente conheça e compreenda quais são os aspectos psicológicos e como eles impactam na vida do atleta", disse a profissional.
Técnico nervoso . Toma muitos cartões