[ANÁLISE] Palmeiras mais uma vez teve estratégia de Abel num jogo decisivo
29/9/2021 11:03
[ANÁLISE] Palmeiras mais uma vez teve estratégia de Abel num jogo decisivo
Treinador mudou o esquema tático e a função de Danilo no empate com o Galo. Time criou pouco, mas foi forte na defesa. Jogar bem não é sinônimo de jogar bonito.
Existe uma diferença crucial entre jogar bem e jogar bonito. O Palmeiras de Abel Ferreira, em mais uma final após empatar com o Atlético-MG, por 1 a 1, é o exemplo perfeito para desfazer essa confusão clássica, que muitas vezes prejudica o olhar do Brasil sobre o futebol.
Jogar bem é cumprir uma ideia de jogo. De uma forma muito simples, é entender a filosofia do treinador, sua ideia para aquela partida e ver o quanto o time cumpriu. Desde que chegou ao Palmeiras, Abel se caracteriza por ser extremamente mutável. Ele prefere estudar o adversário, identificar pontos fortes e neutralizá-los para não sofrer gols. Vem daí o lema da "baliza zero".
Do mesmo modo que fez contra River, Santos e São Paulo, Abel novamente mudou o Palmeiras num jogo decisivo. Usou o mesmo 5-3-2 contra o River na Argentina, mas com funções específicas de alguns jogadores: Marcos Rocha tinha como missão anular o forte ímpeto de Guilherme Arana, e assim, Rony poderia ficar mais à frente e servir como referência para o contra-ataque do Palmeiras.
Outra mudança inédita do técnico foi a função de Danilo. Primeiro volante, ele jogou mais avançado até do que Raphael Veiga. Sua função era vigiar de perto Jair, volante que chega de surpresa e muitas vezes permite que um dos meias do Galo venha buscar a bola para pensar de trás.
Todas essas mudanças que você leu cumpriam a um propósito: neutralizar o ponto forte do Galo com a bola, a aproximação dos meias por dentro, com Hulk saindo da área para arrastar um zagueiro e criar espaço. O gol contra o River Plate na Argentina veio de uma aproximação, e o primeiro no Mineirão veio de um momento em que Hulk circula pelo lado direito.
A linha de cinco do Palmeiras garantia proteção extra porque Gómez acompanha Hulk por onde ele ia sem deixar a área desprotegida: Renan e Luan ficavam lá. Felipe Melo marcava Nacho ou Zaracho, enquanto Danilo encostava em Jair. Vargas, autor do gol, não fez bom primeiro tempo e ajudou o Palmeiras a neutralizar a criação de um time que raramente não faz gols em sua casa.
Todo esse plano era acompanhado também de uma forma de jogar com a posse de bola. O Palmeiras fez um jogo de bastante posse no primeiro tempo, e não foi mal nele. Obrigou o Atlético a fazer onze faltas só no primeiro tempo - mais do que o jogo inteiro em São Paulo. A intenção de Abel era com que Dudu ou Veiga circulassem, buscassem a bola lá de trás e botassem Rony ou Piqueréz para correr. Ataque vertical, direto.
Você acabou de ler, com detalhes, a estratégia de Abel para o jogo.
Agora, é preciso ver o que deu certo e não deu certo. É o balanço entre o que o time cumpriu da estratégia e não cumpriu que vai falar se o time jogou bem ou não. Vamos lá:
O Palmeiras criou mais que em São Paulo, mas finalizou pouco. O gol veio em uma jogada individual de Verón.
O Galo criou pouco, mas chegou com bastante perigo em ao menos quatro oportunidades que exigiram defesas de Wéverton.
Após o empate, o Atlético não conseguiu criar muito pela defesa concentrada do Palmeiras.
Pode-se dizer que o Palmeiras fez um jogo estratégico, bom na defesa e não tão bom no ataque. E assim como fez desde que Abel Ferreira chegou ao clube, foi fiel a uma proposta. Uma convicção de futebol. Foi coerente e racional com o que o técnico propõe.
Jogar bem não é jogar bonito. A escolha de Abel Ferreira desagrada muita gente porque não produz um futebol bom de se assistir. Algo que pesa dentro da cultura brasileira de valorizar jogadas individuais e bola trabalhada, o Palmeiras se encaixa dentro de um jogo feio. O problema está quando se desvaloriza esse tipo de proposta porque ela não agrada ao gosto pessoal.
Existem várias maneiras de jogar futebol e vencer um jogo.
Todas são válidas. Respeita as regras impostas pela FIFA? Então é futebol. É um erro grave achar que um time que joga feio "não é futebol": o jogo é democrático, e ganha quando se separa o gosto pessoal de uma análise do que deu certo ou deu errado. São as diversas maneiras de encarar o jogo que torna o futebol tão rico, e muitas vezes, se complementam.
O futebol é maior do que qualquer gosto pessoal. Você pode gostar ou não gostar da forma como o Palmeiras joga, e achar que o time pode mais. Em diversos momentos, pode mesmo - inclusive sofrer menos. Mas a identidade da equipe, a forma como rende mais, desde os tempos de Marcelo Oliveira, é como Abel faz. É obrigação, gostando ou não, reconhecer o mérito e valorizar quando um técnico estuda o jogo, aplica uma ideia no treino, convence seu grupo e sai com uma classificação.
Avaliar o trabalho de Abel Ferreira pela ótica do gosto pessoal é um erro. Um trabalho de apenas dez meses, uma Copa do Brasil e duas finais de Libertadores conquistadas, praticamente sem investimentos, no meio de uma pandemia e recheado de jogos onde o dedo do técnico foi decisivo, como contra o Atlético-MG, jamais pode ser considerado ruim. Coloca na conta aí os jogos em que o Palmeiras não jogou bem, o balanço continua positivo. Gostando ou não.
Apareçam cornetas malditos.. Tão dando o cu pro seus ídolos hulk e Diego Costa
Quase que o louci do Deiverson estraga tudo, esse cara nem no bznco pode ficar
Parabéns abel tenho q admitir!!!
Até que enfim ele acertou parabéns pra ele