Com papéis invertidos, Palmeiras joga para ampliar calvário do São Paulo no Brasileirão

17/11/2021 09:23

Com papéis invertidos, Palmeiras joga para ampliar calvário do São Paulo no Brasileirão

Com papéis invertidos, Palmeiras joga para ampliar calvário do São Paulo no Brasileirão

Um clássico nunca será amistoso, e o São Paulo, além da pressão inerente ao jogo, encara o Choque-Rei desta quarta-feira (17), às 20h30, como vital para sua permanência na Série A. Para o Palmeiras e seu torcedor, no entanto, a partida no Allianz Parque tem outro tipo de valor.



Que contempla, sim, os três pontos no Campeonato Brasileiro, cuja taça o Atlético-MG parece já ter em mãos. Mas o Palmeiras tem um aspecto intangível de reafirmação e desforra que o passar do tempo não faz diminuir. E que é muito mais importante que o jogo em si para um clube que está há dez dias de jogar uma final de Libertadores e não corre riscos no Brasileirão.


Uma vitória dos anfitriões incendiará de vez os bastidores do rival. Ganhando, o Alviverde pode fixar mais um prego no caixão de seu vizinho de muro, para encaminhar o "funeral" que um rebaixamento significa na trajetória de uma agremiação do tamanho do clube do Morumbi.


"Maldição de Aidar" não se quebra

Como num looping eterno, cada partida contra o São Paulo tem para o palmeirense o sabor da vingança contra Carlos Miguel Castex Aidar, 75, presidente do São Paulo entre 2014 e 2015. O torcedor talvez não saiba a data do evento, mas seu conteúdo é inesquecível.


Em 29 de abril de 2014, pouco depois de eleito, Aidar disse, em entrevista coletiva, que o Palmeiras se "apequenava". A fala tinha como objetivo rebater as queixas do ex-presidente verde Paulo Nobre, pelo fato de o Tricolor ter procurado e contratado o atacante Alan Kardec enquanto o jogador ainda negociava uma renovação com o Palmeiras.


Para arrematrecar, Aidar ainda disse, comendo uma banana de uma ação de uma campanha contra o racismo, em curso à época, que era preciso ter cuidado para que as frutas não caíssem, pois estavam "verdes" —associação sobre a qual nem era preciso raciocinar muito para se entender.


Naquela mesma temporada, em que comemorava seu centenário, o Palmeiras ainda correu risco de rebaixamento até a última rodada do Brasileiro. Mas nos anos seguintes, tudo mudou.


Envolvido em denúncias de favorecimento e cobrança de propinas, com desdobramentos até os dias de hoje, como mostram reportagens recentes do UOL, Aidar renunciaria ao cargo no ano seguinte e se tornaria persona non grata no clube que presidiu duas vezes.


"Eu sou você ontem"

Com o advento do Allianz Parque e uma injeção financeira por parte de Paulo Nobre, que o clube já quitou, Palmeiras e São Paulo, de certo modo, inverteram seus papéis no cenário nacional e internacional.


O Palmeiras conquistou, desde então, seis títulos: uma Copa Libertadores (2020), dois campeonatos brasileiros (2016 e 2018), duas copas do Brasil (2015 e 2020) e um Paulista (2020). Ao São Paulo, coube apenas conquistar o Paulista da atual temporada. Que, em que pese ter sido sobre o Alviverde, passa longe de devolver ao clube seu status vencedor de outrora.


O São Paulo, afinal, havia sido o grande clube da década anterior, com o tri brasileiro —2006, 2007 e 2008—, a Libertadores, o Mundial e o Paulista de 2005 —além da Copa Sul-Americana de 2012.


Rodar o elenco, fazer testes ou entrosar mais o time?

O técnico Abel Ferreira, que nada tem a ver com a rixa histórica entre os dois clubes, tem outra sorte de dilema com o qual se ocupar.


Após o fraco desempenho físico e técnico na derrota para o Fluminense, no domingo, o treinador talvez tenha que poupar algumas peças por conta de desgaste, além dos jogadores que perderá por suspensão.


O português tem uma defesa para entrosar com vistas à final continental, já que Marcos Rocha está suspenso da partida decisiva. Mayke iniciou o jogo contra o Flu no Rio, e Gabriel Menino jogou a segunda etapa. Ambos tiveram desempenho aquém do desejado, e a lacuna segue aberta.



No meio, Felipe Melo voltou ao time titular ao lado de Zé Rafael. Mas, suspenso com o terceiro cartão, já não enfrentará o São Paulo nesta quarta. Danilo e Zé devem formar a dupla de volantes. No ataque, Dudu está fora do jogo, por ter sido expulso nos minutos finais do jogo. Bem como Deyverson, que recebeu o vermelho já depois do apito final.

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2418 visitas - Fonte: Uol Esportes

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