Um clássico nunca será amistoso, e o São Paulo, além da pressão inerente ao jogo, encara o Choque-Rei desta quarta-feira (17), às 20h30, como vital para sua permanência na Série A. Para o Palmeiras e seu torcedor, no entanto, a partida no Allianz Parque tem outro tipo de valor.
Que contempla, sim, os três pontos no Campeonato Brasileiro, cuja taça o Atlético-MG parece já ter em mãos. Mas o Palmeiras tem um aspecto intangível de reafirmação e desforra que o passar do tempo não faz diminuir. E que é muito mais importante que o jogo em si para um clube que está há dez dias de jogar uma final de Libertadores e não corre riscos no Brasileirão.
Uma vitória dos anfitriões incendiará de vez os bastidores do rival. Ganhando, o Alviverde pode fixar mais um prego no caixão de seu vizinho de muro, para encaminhar o "funeral" que um rebaixamento significa na trajetória de uma agremiação do tamanho do clube do Morumbi.
"Maldição de Aidar" não se quebra
Como num looping eterno, cada partida contra o São Paulo tem para o palmeirense o sabor da vingança contra Carlos Miguel Castex Aidar, 75, presidente do São Paulo entre 2014 e 2015. O torcedor talvez não saiba a data do evento, mas seu conteúdo é inesquecível.
Em 29 de abril de 2014, pouco depois de eleito, Aidar disse, em entrevista coletiva, que o Palmeiras se "apequenava". A fala tinha como objetivo rebater as queixas do ex-presidente verde Paulo Nobre, pelo fato de o Tricolor ter procurado e contratado o atacante Alan Kardec enquanto o jogador ainda negociava uma renovação com o Palmeiras.
Para arrematrecar, Aidar ainda disse, comendo uma banana de uma ação de uma campanha contra o racismo, em curso à época, que era preciso ter cuidado para que as frutas não caíssem, pois estavam "verdes" —associação sobre a qual nem era preciso raciocinar muito para se entender.
Naquela mesma temporada, em que comemorava seu centenário, o Palmeiras ainda correu risco de rebaixamento até a última rodada do Brasileiro. Mas nos anos seguintes, tudo mudou.
Envolvido em denúncias de favorecimento e cobrança de propinas, com desdobramentos até os dias de hoje, como mostram reportagens recentes do UOL, Aidar renunciaria ao cargo no ano seguinte e se tornaria persona non grata no clube que presidiu duas vezes.
"Eu sou você ontem"
Com o advento do Allianz Parque e uma injeção financeira por parte de Paulo Nobre, que o clube já quitou, Palmeiras e São Paulo, de certo modo, inverteram seus papéis no cenário nacional e internacional.
O Palmeiras conquistou, desde então, seis títulos: uma Copa Libertadores (2020), dois campeonatos brasileiros (2016 e 2018), duas copas do Brasil (2015 e 2020) e um Paulista (2020). Ao São Paulo, coube apenas conquistar o Paulista da atual temporada. Que, em que pese ter sido sobre o Alviverde, passa longe de devolver ao clube seu status vencedor de outrora.
O São Paulo, afinal, havia sido o grande clube da década anterior, com o tri brasileiro —2006, 2007 e 2008—, a Libertadores, o Mundial e o Paulista de 2005 —além da Copa Sul-Americana de 2012.
Rodar o elenco, fazer testes ou entrosar mais o time?
O técnico Abel Ferreira, que nada tem a ver com a rixa histórica entre os dois clubes, tem outra sorte de dilema com o qual se ocupar.
Após o fraco desempenho físico e técnico na derrota para o Fluminense, no domingo, o treinador talvez tenha que poupar algumas peças por conta de desgaste, além dos jogadores que perderá por suspensão.
O português tem uma defesa para entrosar com vistas à final continental, já que Marcos Rocha está suspenso da partida decisiva. Mayke iniciou o jogo contra o Flu no Rio, e Gabriel Menino jogou a segunda etapa. Ambos tiveram desempenho aquém do desejado, e a lacuna segue aberta.
No meio, Felipe Melo voltou ao time titular ao lado de Zé Rafael. Mas, suspenso com o terceiro cartão, já não enfrentará o São Paulo nesta quarta. Danilo e Zé devem formar a dupla de volantes. No ataque, Dudu está fora do jogo, por ter sido expulso nos minutos finais do jogo. Bem como Deyverson, que recebeu o vermelho já depois do apito final.
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