Muitos palmeirenses imaginavam que o clássico contra o São Paulo seria a "despedida" da equipe no Brasileirão antes da final da Libertadores, mas o plano de Abel Ferreira foi diferente.
O técnico tirou na derrota por 2 a 0 no Choque-Rei a provável escalação titular do jogo contra o Flamengo, dia 27, em Montevidéu, exceto por Weverton, dono da meta alviverde, e Danilo, que disputa com Felipe Melo e Zé Rafael uma vaga nos 11 iniciais.
Já praticamente fora da briga pelo título brasileiro e bem posicionado no G-4, o Verdão tem na decisão continental o grande jogo deste fim de ano. Mas deixar o São Paulo ainda mais ameaçado pelo rebaixamento tinha seu apelo com a torcida, tanto que mais de 35 mil pessoas foram ao Allianz, o melhor público em dois anos no estádio.
Ao sair a escalação reserva, veio a primeira frustração. Abel acompanha pouco o que acontece fora da Academia de Futebol e mostra-se muito seguro de seu plano, como repetiu na entrevista coletiva. Mas a ideia para este Choque-Rei está entre as que tiveram o menor apoio dos palmeirenses.
Ainda mais pelo desempenho muito fraco de um time que sem Dudu, suspenso, nem Gustavo Scarpa, Raphael Veiga e Rony, poupados, não contou com o estilo mais agressivo que levou até a semana passada a seis vitórias seguidas no Brasileirão.
Luiz Adriano, em temporada apagadíssima, substituiu o veloz camisa 7 e foi um dos problemas. Com seu jogo mais cadenciado, o centroavante costuma recuar para fazer o pivô, e assim a defesa adversária consegue se adiantar, engarrafando a intermediária. Rony faz o inverso: usa a velocidade para abrir o espaço onde trabalham os meias e atacantes do Verdão.
Com a ausência de Veiga e Scarpa, Abel escolheu um meio-campo com Patrick de Paula, Danilo e Matheus Fernandes. Havia a curiosidade para se ver especialmente o ex-volante do Barcelona, que foi escalado mais à frente, fora de sua posição e não foi bem.
Além da falta de força ofensiva, o Palmeiras foi apático e desatento. Assim, o São Paulo roubava a bola e se via repetidas vezes em superioridade numérica diante da atrapalhada dupla Kuscevic e Renan. Depois de sofrer o 2 a 0, o Verdão até abafou ao entrarem Zé Rafael, Scarpa, Veiga e Rony, mas a derrota foi merecida.
Se a ideia de Abel era mostrar que o clássico não era o principal neste momento de decisão e assim diminuir sua relevância, o resultado foi o inverso. Afinal, a torcida que lotou o Allianz viu um time muito abaixo do esperado, que não afundou o rival na luta contra a queda e ainda teve mais um entrevero entre o público na arena e Luiz Adriano.
Agora, a pergunta que o palmeirense se faz diante de tudo isso é:
Como isto influencia na final da Libertadores?
Muito pouco. Se Abel tem um time praticamente pronto na cabeça para o dia 27, os reservas certamente não deram motivos para que ele repense. Neste momento, a tendência é de que
Weverton, Mayke, Luan, Gustavo Gómez, Piquerez, Felipe Melo (Danilo), Zé Rafael, Raphael Veiga, Gustavo Scarpa, Dudu e Rony comecem a decisão.
Assim, não usá-los no clássico dá um descanso pensando na parte física da decisão. Mas o próximo jogo será no sábado, contra o Fortaleza, no Castelão, e na terça há o duelo com o Atlético-MG, o último antes da ida para o Uruguai. Como gerir esta sequência? A viagem para o Ceará é desgastante e diante do Galo certamente os reservas atuarão novamente.
A confiança é grande no plano que se traçou para a Libertadores, então um tropeço não gera qualquer crise, mas depois de seis vitórias seguidas agora são duas derrotas em sequência. Uma boa atuação no Choque-Rei poderia ser a despedida dos sonhos, mas o palmeirense deixou o Allianz incomodado.
Em outros momentos realmente ruins, o ambiente na Academia de Futebol foi blindado, então não é factível imaginar problemas agora. Serão as 24 horas que o treinador pede para comemorar ou lamentar o resultado.
A partir de sexta, Abel tratará de zerar o peso do clássico por confiar no projeto que traçou com o elenco e já deu resultado antes. É verdade, mas ele talvez tenha diminuído demais a importância desse Choque-Rei para o ambiente entre torcida e elenco.
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Abel não pisou na bola, pisou na mer.... mesmo...com os dois pés.....