Nos anos 70, Palmeiras sediou revolução do movimento negro em São Paulo

20/11/2021 08:06

Nos anos 70, Palmeiras sediou revolução do movimento negro em São Paulo

Nos anos 70, Palmeiras sediou revolução do movimento negro em São Paulo

O Brasil ainda enfrentava a repressão da ditadura no início da década de 70. Para lidar com os problemas da época, a juventude negra resolveu se juntar para curtir, mas também para criar novas lideranças. O resultado dessas reuniões foi a criação dos bailes blacks, como eram chamadas as festas que se espalharam da zona sul até a zona leste, com grande penetração na zona oeste e no centro da capital paulista.



Hoje, quase 50 anos depois, o palco do ginásio do Palmeiras é reconhecido como fator importante para a consolidação do movimento negro em São Paulo. Foi no local que o produtor musical Luiz Alberto dos Santos, mais conhecido como Luizão, instalou em 1974 o baile da Chic Show, aquela que se tornaria a festa black da cidade. Já na primeira edição, o show ficou a cargo de Jorge Ben Jor, atração que seria a mais frequente entre todos os grandes músicos nacionais e internacionais a se apresentarem no Palmeiras.


"A chegada da Chic Show foi como uma invasão negra no território branco. Era época da ditadura, o bicho estava pegando. Eu já fazia shows de aniversários nas casas de algumas pessoas, na região da Vila Madalena, Butantã. E começamos a fazer os bailes. Nos bailes havia um oficial de justiça para checar a idade das pessoas. E eu sonhava em fazer os bailes no Palmeiras desde que fui em uma formatura lá", conta Luizão em entrevista ao UOL Esporte.


Apesar de a parceria entre Palmeiras e Chic Show ter durado mais de dez anos, o início, segundo Luizão, não foi nada fácil.


"Como a Chic Show era o baile dos negros, levamos os negros para os clubes de elite da cidade, como Palmeiras, Círculo Militar, Clube Homs, Casa de Portugal, e se alastrou pelas periferias, São Bernardo, São Miguel, Tatuapé. Teve muito racismo, os torcedores, os sócios do clube não aceitavam muito bem. No dia dos bailes a galera lá dentro explodia, o baile era muito explosivo, era uma invasão. Mas o Palmeiras tinha um diretor social que era juiz de direito, Claudio Mezzarane, muito aberto e amigo dos negros. Um branco de alma negra. E ele enfrentou a diretoria. E ficamos lá por muitos anos. Com o tempo a coisa se inverteu, porque o clube passou a lucrar com as festas", recorda.


Além do aluguel para ceder o espaço do Palácio de Festas, o Palmeiras ganhava com a comercialização das bebidas.


Aos poucos a Chic Show foi se consolidando. Depois de Ben Jor, a lista de astros a se apresentar aos sábados no clube alviverde só crescia e passou a ter nomes como Djavan, Bebeto, Sandra de Sá, Carlos Dafé, Tim Maia e Gilberto Gil. Com o crescimento, Luizão resolveu expandir o palco do Palmeiras para convidados internacionais, todos da música black norte-americana, como Roger Troutman, Kurtis Blow, e uma das favoritas de Luizão, a cantora Betty Wright.


Só que o auge aconteceu em 11 de novembro de 1978. Foi quando o ginásio palestrino recebeu o maior nome da música soul, o cantor James Brown. Relatos dão conta que mais de 20 mil pessoas se espremeram para ver Brown sapatear e cantar seus maiores sucessos.


"O show dele é um dos grandes acontecimentos da Chic Show. Teve o Tim Maia que lotou também. O James Brown veio com a banda dele, a JB Band, negociamos e trouxemos 36 pessoas, toda a banda, as backing vocal. Foi um grande show", relembra Luizão.


Com inserção cada vez maior, a Chic Show passou a ser referência e também guia. O baile foi homenageado nas letras de "Sr. Tempo Bom", de Thaíde e DJ Hum, e "De Onde Cê Vem?!", de Emicida. Os bailes também contribuíram para a criação de um estilo musical estritamente paulistano, o samba-rock.


Além disso, a festa pavimentou novos nomes da cena musical paulistana. Com o tempo, a Chic Show passou a ter programas musicais em rádios como a Bandeirantes, Transcontinental e 105 FM, ajudando a difundir a cultura da música negra para uma parte considerável da população.


"Com certeza as equipes de baile, tinham muitas em São Paulo, pavimentaram essa conexão da nossa referência de ter autoestima. E a Chic Show é uma delas. A gente teve conexão direta com o Luizão, em 1991, nas festas da Chic Show em São Bernardo. O pagode passou a fazer a diferença no núcleo negro a partir daí, e aí o negro passou a ter identidade com o samba e o pagode e tudo começou com a Chic Show", exaltou o cantor Salgadinho, que na década de 90 liderou o grupo de pagode Katinguelê, com sucessos como Inaraí e Lua Vai.



"A parceria entre Chic Show e Palmeiras foi uma união muito combatida, mas que deu muito certo", finalizou Luizão, com a certeza de quem fez história.

#palmeiras #verdao #alviverde #revolucao #sede #movimentonegro


4053 visitas - Fonte: Uol Esportes

Mais notícias do Palmeiras

Notícias de contratações do Palmeiras
Notícias mais lidas

Carlos Santos     

Os grandes jogadores negros do Palmeiras, posso esquecer de alguns, vamos lá, Djalma Santos, Djalma Dias, Ademar Pantera, Dario, Galhardo, Rubens Feijão, Edu Bala, Nei, Jorge Mendonça, Pires, Mococa, Kleber, Jailson, Júnior Baiano, Cesar Sampaio, Germano, Patrick de Paula. "AVANTI PALESTRA"!!!!!!!!!!!!!!!!

Enviar Comentário

Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado e logado no nosso site. Para se cadastrar, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui ou .
publicidade