26/11/2021 13:01

Beque de Fazenda, Gustavo Gómez busca mais um título pelo Palmeiras

A expressão "beque de fazenda" é utilizada no futebol de maneira depreciativa para rotular os zagueiros de pouca técnica. Mas hoje ela serve também para definir um dos melhores defensores da América do Sul: Gustavo Gómez, que neste sábado, às 17h (de Brasília), contra o Flamengo, em Montevidéu, no Uruguai, tem a chance de ganhar mais uma Libertadores pelo Palmeiras.



Fora de campo, Gómez virou literalmente um beque de fazenda. É no interior do Paraguai, na pequena San Juan Bautista, de cerca de 20 mil habitantes, que sai o competente e vitorioso jogador para dar lugar ao empolgado e iniciante fazendeiro.


Quando está de férias em seu país natal, é essa a grande ocupação do zagueiro. E ele participa ativamente das obrigações da função. Só que ainda não aprendeu uma habilidade fundamental no campo.


"Eu sou um fazendeiro que não sabe andar em cima do cavalo. Só de caminhonete (risos). Mas isto é detalhe. É algo totalmente diferente, e eu estou apaixonado hoje por isso", contou ele em entrevista ao ge.


"Eu gosto, estou aí quando precisa marcar animal, trabalho com os caras, mas uma tarefa que tenho é essa: aprender a cavalgar. Eu vou mais quando tem marcação, é muito legal, a fazenda é legal financeiramente, mas é mais legal por ser agradável, um mundo totalmente diferente do que nós jogadores vivemos", explicou.


O interesse pela vida no campo começou por acaso. Um amigo e um cunhado veterinário foram fundamentais. Aos poucos, o fazendeiro Gómez foi pegando gosto pela atividade, até se tornar a grande paixão fora dos gramados.


Mas não foi só essa obra do acaso que se tornou marcante na vida de Gustavo Gómez. Ainda teve outra, que nem ele imaginava que daria tão certo...



JOGADOR "POR ACASO"

Por incrível que pareça, foi justamente o futebol que surgiu sem grande interesse na vida de Gustavo Gómez. Aliás, se fosse pelo sonho do zagueiro, hoje teríamos um Doutor Gustavo Gómez atuando como advogado no Paraguai.


Na família de vida simples em San Juan Bautista, a cerca de 200 quilômetros da capital Assunção, a grande esperança era no irmão mais velho, David, que se tornou profissional e chegou a atuar em equipes do Chile. Não colocavam muita fé no "magrinho e rebelde" Gustavo...


"Eu era magrinho, um pouco rebelde, jogava futebol por jogar. Estava trabalhando na Procuradoria, todos achavam que eu não era sério jogando futebol, que eu jogava por jogar e não iria virar profissional".


O trabalho na Procuradoria de San Juan Bautista durou até os 16 anos. Aos 14, fez um teste no Libertad e foi reprovado. Voltou para sua cidade e passou a jogar na equipe amadora local, porém já na categoria profissional.


Mesmo sem ser seu principal foco, Gómez já tinha sido convocado pra defender a seleção sub-17 do Paraguai aos 14 anos – e como meio-campista. Mesmo assim, o futebol ainda não era levado tão a sério pelo aspirante a advogado.


A rotina incluía treinos com as seleções de base em Assunção no começo da semana, mas a partir de quarta-feira era vida normal em San Juan Bautista: trabalho pela manhã, treinamento à tarde e escola à noite.


Só que aos poucos a situação foi mudando. Depois de muitas convocações para as seleções inferiores, a ida para Assunção aos 16 anos evindenciou o inevitável: o foco virou o futebol de vez.


Aos 17, Gómez foi convocado para ser "sparring" do Paraguai, que se preparava para a disputa da Copa do Mundo da África do Sul. Foi comprado pelo Libertad, mesmo clube que o havia dispensado anos antes, e a carreira decolou de vez.


E o sonho de ser advogado, morreu? Talvez, mas as lembranças daquela época são cultivadas até hoje.


"É uma carreira difícil de estudar online, precisa de muito tempo, e o calendário do Brasil é um pouco difícil. Mas ainda hoje eu faço uma vez por ano o churrasco com todos que trabalham na Procuradoria, que foram meus companheiros naquela época. E meu chefe, que era fiscal, virou juiz e até hoje está na minha cidade, é como meu pai também", contou.


Enquanto Gustavo Gómez seguiu os passos no futebol, a família toda continua em San Juan Bautista, onde o jogador construiu um complexo esportivo para dar oportunidades de lazer à população. Os pais José e Glória são separados. Além do ex-atleta David, o irmão Mário é policial, e a irmã Mariela trabalha em um hospital.



TRAGÉDIA NA ARGENTINA

A carreira de jogador de futebol deu a Gustavo Gómez a oportunidade de morar na Argentina e na Itália antes de chegar ao Brasil. E foi atuando pelo Lanús, em 2015, que ele passou por uma experiência trágica.


Diego Barisone, seu melhor amigo e companheiro de zaga, morreu em um acidente de carro na Argentina. As marcas daquela perda até hoje não foram apagadas.


"Foi um episódio muito forte, que marcou a vida de todos nós naquele momento. Para mim, pessoalmente, foi forte, era meu parceiro de zaga, morava perto de mim, íamos juntos ao treino e tínhamos uma boa relação".


"Até hoje eu lembro que acordei cedo, às 7h. Eu acordo cedo para tomar chimarrão, para tomar café e ir ao treino. Neste dia acordei cedo, liguei a TV e vi a notícia. Foi muito forte, mas até hoje falo com o pai dele, que manda mensagem, força. Foi um golpe duro, difícil, que verdadeiramente me marcou muito", lembrou.


O número 15, usado por Gómez até hoje, também se tornou uma forma de homenagear o amigo, que era o dono da camisa no Lanús.


"Ali marcou ainda mais o número, eu usava já no Libertad e disse ao pai dele quando fui ao Milan que se tivesse a 15, eu iria usar. O pai do Barisone ficou feliz, e o número ficou algo meu. Esta é a verdadeira história", explicou.


Em 2016, o defensor foi vendido ao Milan, um dos gigantes do futebol europeu. Mas a passagem pela Itália dentro de campo não foi como Gustavo Gómez esperava. Fora dele, deixou boas lembranças.


"Foi muito legal, Milão é uma cidade muito linda, muito top, de muita história culturalmente. Fica perto de tudo. Eu brinco com a minha esposa que a cidade para viver é Milão, mas é um pouco caro (risos), mas se vive muito bem, fiz muitos amigos lá".



Argentina, Itália e Brasil, três países que têm em comum a ótima culinária. Não o suficiente para fazer o zagueiro palmeirense deixar de preferir suas tradições na hora de comer. O bori-bori (um ensopado com bolinhas de farinha e algum tipo de carne) e o chipaguaçu (uma torta de milho recheada) ainda são os favoritos.


"Bori-Bori é uma comida muito top do Paraguai, sempre tem que experimentar, pelo menos uma vez por mês tem que ter em casa. Minha filha gosta muito, é a comida preferida dela. Tem também o chipaguaçu, é muito legal".


FAMÍLIA, POLÍTICA, TATUAGENS...

O lado brigador e raçudo dentro de campo não entra na casa da família Gómez. O zagueiro é do estilo paizão, que faz questão de acordar cedo todos os dias para levar a filha Pia à escola. Casado desde 2014 com a também paraguaia Jazmin, eles tem outro filho, Lucca, que nasceu no fim de 2020.


Curiosamente, outra coisa que não entra na casa da família é futebol. Exceto em dias de jogo do Palmeiras, o zagueiro raras vezes assiste ou consome algo relacionado ao esporte.


Gómez prefere se informar das notícias do Paraguai ou ver desenho com os filhos. Além disso, tem um gosto especial por leituras de política, apesar de preferir falar pouco sobre o tema.


"Não falo muito da política, mas o mundo gira através da política, isso existe aqui no Palmeiras, em um banco... É interessante a gente se informar um pouco mais sobre isso, depois cada um fica para seu ideal e seu pensamento. Mas eu não falo muito, não estou nesse mundo, então posso ser mal interpretado".


"Tenho minhas convicções, sou cristão, católico, estou a favor da vida, se isso é de direita, de esquerda, cada um com seu pensamento, mas eu não tenho partido, não mexo com isso. Eu me informo por achar legal se informar e saber como são as coisas. Se eu acho que tem um pensamento de esquerda que é legal, tiro um pouco de lá. Se acho que um pensamento de direita é legal, tiro um pouco de lá. Tem que casar com uma ideologia, é o meu pensamento", explicou.


O que também é muito presente no dia a dia de Gustavo Gómez e sua família é a religião. O jogador é devoto do Padre Pio e diz tentar seguir no caminho religioso cada vez mais.


"Sempre que posso, vou à igreja com minha esposa. Gosto de rezar o rosário com a minha esposa em casa, fazer um pouco de jejum, um esforço quando podemos. Tento melhorar a cada dia, ninguém é perfeito, cada dia é bom tentar melhorar e se aproximar disso".


"Mas minha família, minha esposa, tratam sempre de levar por esse caminho do cristianismo, tenho tatuagem do Padre Pio, foi um livro que a minha esposa me deu, a história dele é muito legal, um franciscano italiano que foi enviado na terra para mudar a vida de muitas pessoas. Fiquei devoto do Padre Pio, um cara que sofreu muito com os pecados do mundo. Trato de cometer cada dia menos pecados, ninguém é perfeito, mas tento melhorar a cada dia", falou ele.



A devoção é tanta que o jogador tem várias tatuagens no corpo em alusão à religião – até já perdeu a conta de quantas são. Uma delas, inclusive, tem a imagem do Padre Pio. É um gosto que veio da adolescência, mas cresceu no Brasil.


"Exatamente quantas são eu não sei, são sessões que vão fechando, eu fechei o braço. Eu tinha uma aqui que fiz em letra chinesa, por isso falo que fiz na cadeia (risos). Não sei quantas são, mas tenho o braço completo, o peito, o outro braço, na perna, agora minha esposa falou pra eu ficar tranquilo (risos)".


"Eu tinha tatuagem, só que aqui eu fechei e melhorei as que eu tinha. Eu fiz quando eu tinha 14 anos, agora eu melhorei tudo, arrumei certinho pra ficar mais legal, parecia que eu tinha feito na cadeia as tatuagens (risos)", brincou o zagueiro.


DE NOVO, A LIBERTADORES

Não faltam capítulos interessantes na vida de Gustavo Gómez. Neste sábado, contra o Flamengo, o mais bonito deles pode ser escrito: o bicampeonato da Libertadores. Um marco na carreira dele, na história do Palmeiras e na vida de tantos torcedores espalhados pelo mundo.



"Ganhar de novo significa a história. Fizemos história de chegar à final pela segunda vez, agora estamos a 90 minutos de sermos eternizados. A gente trabalha para isso, para ficar marcado na história para sempre. Nosso grupo merece. Estamos trabalhando para cumprir esse sonho. Atitude e vontade nunca faltarão de minha parte".



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