Luan relembra trajetória no Palmeiras, supera momento conturbado e ouve desculpas da torcida

11/12/2021 15:23

Luan relembra trajetória no Palmeiras, supera momento conturbado e ouve desculpas da torcida

Zagueiro sofreu com erros e hoje curte o bicampeonato da Libertadores

Luan relembra trajetória no Palmeiras, supera momento conturbado e ouve desculpas da torcida

O zagueiro Luan, do Palmeiras, tem um ritual antes de entrar em campo. Após vestir o uniforme do clube, coloca sempre as mesmas caneleiras. Na perna direita, uma foto em que está acompanhado da esposa, Clarice, e dos filhos, Cecília e Murilo. No par dela, uma imagem apenas das crianças. Por fim, no pulso, coloca um prendedor de cabelo da menina.

— Isso eu aprendi fazendo um trabalho mental, um trabalho com uma psicóloga. Ela falou que, quando eu estivesse passando por algum momento difícil dentro de campo, eu deveria olhar para alguma coisa que me desse força. Passei por momentos difíceis aqui dentro, e isso foi uma das coisas que me ajudou a superar e a crescer novamente — conta ele.



Pelo Verdão, Luan enfrentou o auge da dificuldade em abril deste ano, quando errou um passe que resultou em gol do Flamengo na disputa pelo título da Supercopa e desperdiçou o pênalti que daria o título da competição ao Palmeiras — os cariocas ficaram com a taça.

Poucos meses antes, o defensor havia cometido o pênalti que eliminou a equipe do Mundial de Clubes e acabara expulso na primeira partida da final da Copa do Brasil 2020 após acertar uma cotovelada no atacante Diego Souza, do Grêmio.

— Aquilo ali me deixou muito mal, realmente. Porque eu recebi fotos dos meus filhos. Meus filhos com as camisas de onde eles estudavam. O pessoal dizendo: “Eu sei onde seus filhos estudam, eu vou te pegar, vou pegar sua família!”. Hackearam meu Whatsapp. Tinha, pô, muita mensagem. Então depois daquele jogo ali eu fui pro meu quarto e pensei: “Caraca, vale a pena mesmo isso?”. Não por mim. Por eles, sabe, meus filhos, minha família, minha esposa.

Em momento nenhum, pediu ao técnico Abel Ferreira algum tipo de preservação. Pelo contrário: diz ter virado a chave a partir de conselhos do português.

— Eu foquei no que eu posso fazer e no que eu tenho que fazer para melhorar, evoluir. O que você controla? Eu controlo minhas ações, meu sono, o que eu como, minha conduta, meu treinamento. Não consigo controlar o que vai acontecer no jogo, mas o que eu posso fazer para que o jogo se desenrole da maneira que eu goste. Às vezes, eu entrava entrando em campo pensando: “Caramba, hoje temos que ganhar". Mas o Palmeiras não vai ganhar se eu sentar e esperar que o Palmeiras ganhe. O que eu posso fazer, o que eu devo fazer para o Palmeiras ganhar, sabe?

Por isso, passou a consumir menos a programação esportiva em casa. Reclama quando o pai passa a tarde no sofá assistindo a tudo o que a televisão transmite de futebol. Mas a tentativa de blindagem é em vão: na internet, todas as críticas — e elogios — chegam até ele.

— Fico muito mal porque sei que muitas pessoas dependem da gente. A alegria, talvez, do dia a dia dos torcedores, de chegar no outro dia no trabalho e cumprimentar seu companheiro de trabalho de cabeça erguida. Mas não posso trazer isso pra dentro da minha casa. Meus filhos não podem sofrer isso. Isso não pode ser um fardo pra mim. Eu quero desfrutar dessa vida que eu consegui, do que eu atingi. Não adianta nada você jogar num time top, ter um salário legal, conseguir dirigir um carro legal, ter uma roupa legal, mas não poder usufruir de nada disso, sabe? Ao mesmo tempo em que você tem tudo, você não tem nada. Você está perdendo para você mesmo por dentro.

Campeão do Brasileirão (2018), da Copa do Brasil (2020), do Paulistão (2020) e bi da Libertadores (2020 e 2021), Luan encerrou a temporada recebendo o reconhecimento da torcida. Diz ser abordado nas ruas com pedidos de desculpas de palmeirenses. "Que desculpa, cara. Passou, aproveita o momento!", costuma responde ele, aos risos.



— E o mais legal disso tudo é que eu falo para alguns meninos mais novos, converso muito com eles: “Meu, passei momentos difíceis aqui pra caramba, mas nunca ninguém vai ter um 'ai' para falar que o Luan no treino não se dedicava, que era uma pessoa ruim, que tratou alguém mal, que tratou mal os funcionários do CT". Nunca, nunca. E eu falo pra eles que é bom ganhar títulos, mas a satisfação pessoal do homem, do ser humano, pra mim, e a honra, a humildade, não tem preço isso.


2982 visitas - Fonte: Globoesporte.com

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Jesus Candido     

Eu nunca critiquei..na reslidsdr eu nunca critiquei nem um jogador do GIGANTE PALMEIRAS..os caras sao humanos e estao lado a lado com o erro e com o acerto..maquinas que sao maquinas erram..eu acho a zaga do GIGANTE VERDE do M.Rocha..Gomes..Luan e Piquerez a zaga do hino..Zaga que ninguem passa,linha zsgueiros de raça...

Nilson Severino     

E tem torcedor modinha que só sabe criticar.

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