Há praticamente um ano, o Palmeiras perdia para o Al-Ahly, do Egito, nos pênaltis depois do 0 a 0 no tempo normal, e assim encerrava sua participação no Mundial de Clubes com a frustrante quarta colocação, sem nem fazer gols.
De volta ao torneio, o Verdão reencontrará a equipe egípcia nesta terça-feira, às 13h30 (de Brasília), no estádio Al Nahyan, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. O vencedor do confronto vai à final contra quem passar entre Chelsea, da Inglaterra, e Al Hilal, da Arábia Saudita, na outra chave.
Apesar de seguidos elogios ao Al-Ahly, é consenso no Palmeiras que desta vez a equipe está muito mais preparada. Além de não conviver com o calendário apertadíssimo do início de 2021, a continuidade do trabalho de Abel Ferreira deu experiência e repertório a este elenco.
Entre os pontos mais desenvolvidos estão a parte tática e mental. Há uma cena que se tornou rotina: quando uma situação inesperada ao programado se apresenta ao grupo é comum ver Abel e os próprios atletas apontando para a cabeça. O gesto é um pedido de tranquilidade, mas faz parte também da construção da identidade deste grupo.
Atuais bicampeões da Libertadores, os palmeirenses têm repetido o que será necessário para avançar à decisão do Mundial: intensidade e entrega. Foi justamente isso que eles identificaram no Al Ahly na vitória contra o Monterrey, e agora esperam para competir com os egípcios e ter chance de avançar à decisão.
– São jogos decisivos, com muita emoção. Para mim estes jogos são 70% competir e 30% tática. Nós fizemos tudo para estaremos preparados para esta semifinal. Agora é fazermos nossas tarefas e fazer tudo para ganhar. Não é de agora, é desde o momento que ganhamos a Libertadores. Tenho esse sonho, temos esse propósito e vamos acreditar e fazer para depois conquistar – disse Abel.
Ao analisar a evolução palmeirense, Raphael Veiga citou que há aspectos "inegociáveis" para o bom desempenho do Verdão, como intensidade, dedicação e jogo coletivo. Mas o fator emocional também é bem trabalhado e destacado entre os atletas.
– O Abel costuma dizer, e eu nunca tinha parado para pensar nisso: que a diferença dos jogadores é do ombro para cima. Porque do ombro pra baixo todo mundo é igual. Tem duas pernas, tem dois braços, enfim… E o que faz a diferença é o que faz do ombro para cima, controla todo o resto. Cada vez mais eu tenho aprendido tudo isso. E eu acho que o hoje o futebol as pessoas que entenderem isso mais rápido vão ser as pessoas que vão se destacar mais – explicou Veiga.
Disposição imediata
Abel Ferreira foi bem claro quando explicou a escolha dos 23 atletas que vão disputar o torneio da Fifa e o motivo que o fez desistir de relacionar Renan, Patrick de Paula e Gabriel Menino: a fase atual.
O Verdão ganhou experiência com as chegadas de Murilo, Jailson e Atuesta no início da temporada, o que aumentou a concorrência no elenco. O treinador vê o time mais preparado para competir neste momento com os novos integrantes do plantel.
Na temporada passada, os palmeirenses tiveram pouco tempo de preparação e sofreram com a reta final de um calendário atípico. Felipe Melo, por exemplo, que estava retornando de lesão, atuou em parte da parte do jogo contra o Tigres e foi titular contra o Al-Ahly.
Desta vez, não há atletas lesionados além dos casos de Gabriel Veron e Vinicius Silvestre, ambos positivos para Covid. O lateral-esquerdo Joaquín Piquerez testou negativo na chegada aos Emirados Árabes Unidos e foi integrado ao elenco no início da madrugada de segunda-feira.
Confiança tática
Abel Ferreira tem a possibilidade de montar o Palmeiras de acordo com a característica dos adversários. Foi assim que deu certo a ideia de pressionar o São Paulo desde o início do jogo das quartas de final da Libertadores ou de ter uma postura mais defensiva para enfrentar e eliminar o Atlético-MG na semifinal.
O conhecimento tático da comissão técnica é algo que impressiona até os atletas. Há satisfação interna quando o programado nos treinamentos se concretiza dentro de campo.
– Antes de todo jogo a gente sabe exatamente como deve atacar, como deve defender, como deve atacar se o adversário fizer tal coisa, como defender se eles fizerem tal coisa, e eu acho que nessa parte o Abel nos ajudou muito. Vejo que a gente tem entrado em campo cada vez mais preparado e com mais entendimento do que pode acontecer dentro da partida – afirmou Veiga, em entrevista ao ge.
– Uma prova disso foi na final da Libertadores. O Abel praticamente desenhou a partida como seria. E eu dentro de campo falava: “cara, não é possível. Como ele sabia que seria tanto assim?“. Isso nos ajuda muito também – completou.
Experiência e concentração
O desempenho ruim no Mundial de Clubes do ano passado, algo admitido pelos próprios palmeirenses, é algo que deve servir de aprendizado para os atletas.
Além de uma preparação diferente para a competição disputada em Abu Dhabi, existe uma ideia de que a sequência de jogos importantes disputados pelo Verdão nos últimos anos ajudou a criar uma naturalidade para tais confrontos.
– É a segunda oportunidade, e eu devo chegar um pouco mais tranquilo. Assim como foi na segunda final de Libertadores. A primeira eu estava totalmente tenso, não conseguia dormir, comer, e já para essa segunda final eu já estava mais tranquilo, muito mais preparado, muito mais focado naquilo que eu tinha que fazer. Acredito e espero que seja assim também no Mundial, não só para mim como para todos os meus companheiros, para que eles possam desfrutar realmente dessa segunda oportunidade e fazendo o nosso melhor – contou Zé Rafael, em entrevista ao ge.
– Acho que é (o estilo de jogo) mais parecido com Libertadores, jogo mais solto, não marcam todas as faltas. Você tem até um pouco mais de liberdade nessa disputa de bola. Até para não travar muito o jogo. E eu vejo nossa equipe muito mais preparada do que o ano passado - que acabou sendo uma correria, foi tudo atropelado. A gente está se preparando muito para poder realmente fazer o nosso melhor – acrescentou.
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Torço e rezo para que tudo de certo.