Contra o Al Ahly (EGI), pela semifinal do Mundial de Clubes, nesta terça-feira (8), às 13h30, o Palmeiras jogará seu 21º jogo de mata-mata ou decisão de título sob gestão de Abel Ferreira. Poucos palmeirenses discordam que o treinador é o grande responsável por esse momento inigualável na história do clube.
Não foi Abel, porém, quem fez os gols que lhe deram 14 vitórias decisivas nesse universo de 20 jogos. Foram os jogadores no campo, como o português mesmo gosta de enfatizar. E dentre eles, ninguém contribuiu com mais gols decisivos neste período do que Raphael Veiga.
Não é à toa que recai sobre ele talvez a maior parte da confiança da torcida no que diz respeito à possibilidade de protagonismo no torneio que o clube mais deseja conquistar no momento, em Abu Dhabi.
Veiga fez nove, quase um quarto, dos 42 gols anotados pelo time em jogos que valiam vaga ou taça desde 5 de novembro de 2020, quando o Palmeiras despachou o Red Bull Bragantino das oitavas Copa do Brasil com uma vitória por 1 a 0 em Bragança (gol de Veron). Num clube que desperdiça pênaltis e soma derrotas em cobranças de penalidades, ele é também o cobrador infalível: jamais perdeu um pênalti em 15 que cobrou.
Ele lidera, com vantagem de três gols para o segundo colocado, Rony, um ranking que tem 18 jogadores e lista nomes como Victor Luis, Gabriel Menino, e Luan, além dos óbvios Scarpa, Dudu e Luiz Adriano, este último in memoriam na vida do clube.
Certamente, isso não aconteceu do nada
O protagonismo de Veiga sob o comando de Abel não é mero acaso. Raphael é um dos jogadores mais disciplinados taticamente do grupo. É nítido, pelo modo que a executa, que compreende a maneira de pensar do técnico. E até quando responde perguntas em entrevistas coletivas, por exemplo, parece repetir frases que Abel diria.
O protagonismo de Veiga sob o comando de Abel não é mero acaso. Raphael é um dos jogadores mais disciplinados taticamente do grupo. É nítido, pelo modo que a executa, que compreende a maneira de pensar do técnico. E até quando responde perguntas em entrevistas coletivas, por exemplo, parece repetir frases que Abel diria.
Sabe estar por cima porque já esteve por baixo
Veiga não foge de sua responsabilidade: "Eu sei o espaço e o lugar que ocupo na equipe", disse ele, em entrevista coletiva concedida já em Abu Dhabi. "Mas também sei que dependo dos demais jogadores para fazer meu papel", disse.
"Em alguma jogada individual, algum jogador pode ser muito decisivo. Mas sempre o coletivo vai ser mais importante, porque estando bem o coletivo, o individual aparece", respondeu quando indagado sobre como se sentia no papel daquele de quem se espera mais capacidade de resolver um jogo. Poderia ou não ser uma frase de Abel Ferreira?
Veiga fala com naturalidade do personagem que se tornou porque sabe muito bem o que é estar do outro lado da moeda. Quando chegou ao Palmeiras, em 2017, foi simplesmente cortado pelo então técnico Eduardo Baptista da lista de inscritos do Campeonato Paulista.
Tudo porque o esquecível Vitinho, revelado pela base, fez um golaço num amistoso contra a Chapecoense. Um jogo em que Veiga também fez gol, aliás. Seu primeiro pelo Palmeiras.
"É ruim demais essa sensação de que você não serve. Eu poderia ter causado problema, me revoltado. Mas preferi treinar, me aperfeiçoar. O que mais eu poderia fazer?", indagou ele ao UOL Esporte, em entrevista de agosto do ano passado. O meia teve de sair e brilhar no Athletico-PR para ser de novo acolhido e enfim se tornar protagonista no Alviverde.
Cabeça fria e coração quente
Não há palmeirense que não tenha ouvido e se emocionado com a história de Veiga com seu avô Rafael. O garoto, ainda longe de se tornar um profissional, deixou no caixão do avô uma carta, na qual prometia que um dia jogaria no Palmeiras. Raphael Veiga jamais escondeu ser palmeirense, uma herança que recebeu do pai, mas que veio do avô Rafael.
Em um grupo talhado pelo técnico Abel Ferreira por muitos conceitos táticos, mas também por um senso de união e família, é muito emblemático que um torcedor de nascença do clube seja o dono do pé mais decisivo e também aquele que Abel lista como o mais interessado em aprender a dinâmica por trás do jogo.
Veiga é a personificação da cabeça fria e do coração quente que se tornaram o mote número um deste elenco do Palmeiras, que começa hoje a tentar reconquistar o mundo.
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