[ANÁLISE] Um time, muitos planos: as mutações táticas do Palmeiras para ir à final do Mundial

8/2/2022 17:22

[ANÁLISE] Um time, muitos planos: as mutações táticas do Palmeiras para ir à final do Mundial

Equipe jogou num esquema no primeiro tempo, quando teve paciência até fazer o gol, e depois mudou plano para criar os espaços para o segundo gol

[ANÁLISE] Um time, muitos planos: as mutações táticas do Palmeiras para ir à final do Mundial

A classificação do Palmeiras para a final do Mundial de Clubes da FIFA veio ao melhor estilo Abel Ferreira: com estratégia e paciência. Assim como em outras decisões, a equipe teve um plano muito claro para enfrentar o Al Ahly. E como vem sendo novidade em 2022, mostrou até mais de uma variação ao longo do jogo.

Quem deu a deixa da variação do Palmeiras foi Dudu, autor de um gol e uma assistência: "Na hora que tem que ter calma, rodar a bola. Na hora que tem que ter velocidade, a gente teve".



O primeiro plano de Abel foi fazer o Palmeiras ter calma e saber jogar com mais posse de bola
Para isso, o time formava um desenho muito claro com a bola: Scarpa e Marcos Rocha se posicionavam mais abertos, Piqueréz ficava atrás na chamada saída de três e Rony tentava prender os zagueiros. Veiga e Dudu, vindo da direita para o centro, se movimentavam no espaço que o Al Ahly deixava. Jogando num 5-4-1, a equipe egípcia tentava roubar a bola do Palmeiras com a linha de defesa mais atrás.

Isso abria um clarão, circulado em vermelho na imagem que mostra esse ataque do Palmeiras, o chamado ataque posicional.

A intenção do Palmeiras com esse ataque era desorganizar a defesa do Al Ahly fazendo os zagueiros e volantes saírem do lugar. Mas os 40 minutos iniciais foram de dificuldades e poucas chances. Dieng e Al-Sulaya fizeram uma partida firme impedindo a conexão de Danilo e a linha de 3 aos meias do Palmeiras.

Marcavam a entrada da área e faziam com que Dudu recebesse sem conseguir levar pro pé bom, tendo que girar e tocar para trás. Ou, como você vê no frame abaixo, marcavam Zé Rafael, que tentava se movimentar por lá.

A dupla de volantes fazia isso porque queria deixar a linha de cinco sempre bem postada. Guardadinha na área, formando uma espécie de paredão. Olha aqui nesse frame: os dois descem até Veiga, que sai lá do centro e tenta o jogo pelo lado. Eles impedem que o jogador receba virando pro gol, tentando conectar um companheiro.

Perceba que o Al Ahly dava espaço, mas o Palmeiras não saía da arapuca. Não conseguia colocar uma bola nas costas deles, no espaço para Rony e Dudu correrem.

Numa das poucas vezes que conseguiu, gol. E num gol que começa de uma forma parecida com aquele do Breno Lopes: em Danilo. O volante recebe de Zé Rafael e espera os dois volantes do Al Ahly encostarem nele. Se ele dá um passe rápido, consegue fazer o movimento chamado de "tirar da pressão", que é enganar quem tenta roubar a bola.

O passe de Danilo encontra Dudu, que tinha o mesmo posicionamento de outros jogos. E Veiga, trocando com Rony, se projeta numa linha de defesa totalmente desorganizada. Suba a página e compare: olha o posicionamento dos zagueiros do Al Ahly aqui, um longe do outro, com as outras imagens. O Palmeiras soube, em uma chance, desorganizar uma defesa que não veio para brincadeira.

O segundo plano de Abel era explorar o contra-ataque
Quem abre o placar joga a pressão pro lado de lá. Sabendo disso, o Palmeiras rapidamente mudou a forma de jogar após o gol. O frame tático abaixo mostra o primeiro momento que o time se defende após o gol, num desenho diferente: um 5-4-1 com Scarpa como ala e a surpresa maior: Dudu como um meio-campista, jogando na mesma linha de Danilo e Zé Rafael.

Mas veja que não é só Dudu que muda. A principal mudança é de Veiga, que passa a ficar mais avançado, na mesma linha de Rony. Guarde essa informação.

Uma das vantagens da linha de cinco é que ela permite ter uma dobra de marcação sem fazer os zagueiros saírem da área. É proteção extra a cada roubada de bola. Com o 5-4-1, o Palmeiras marcou melhor o Al Ahly e Gustavo Gómez e Piqueréz podiam sair da área e "caçar" oponentes sem se preocuparem, porque dois zagueiros estavam atrás para protegê-los.

No começo do segundo tempo, Piqueréz sobe e faz esse movimento de "caçar". Luan protege as costas dele e Scarpa, que virou ala, fecha o lado.

Dudu, que estava centralizado na mesma linha de Danilo, fica virado para o gol nesse momento. Os únicos que não aparecem são Rony e Veiga, que ficaram mais avançados. Eles estavam prendendo os zagueiros do Al Ahly. Isso provoca confusão e faz o time egípcio esquecer de Dudu, que corre e recebe a bola de surpresa nesse contra-ataque.

Veja que o posicionamento avançado de Veiga prende a defesa e abre um espaço imenso para Dudu, que faz o segundo. Tática pura.



Abel já vinha ensaiando um time mutante em 2022. Faltava o grande teste. Ele virá contra Chelsea ou Al Hilal, na tão sonhada final do Mundial. Tudo pode acontecer. Inclusive o Palmeiras ter mais de um plano para enfrentar o adversário.




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