A equipe do Palmeiras executou muito bem o plano de jogo elaborado por Abel Ferreira, para disputar a semifinal do Mundial de Clube da Fifa, em Abu Dhabi. Venceu o Al Ahly por 2 a 0, passando por cima da decepção do ano passado, nessa mesma competição, quando voltou para casa com desempenho pífio e sem fazer gols.
Estando melhor preparado, o Palmeiras conseguiu, com relativa tranquilidade, vencer o adversário egípcio, que tem esquema de jogo parecido com o formato que o Palmeiras costuma adotar. Confesso que me preocupou essa semelhança de esquema tático, porque talvez obrigasse o Verdão a propor o jogo, situação que não deixa o time em situação confortável.
Mas, o Palmeiras teve postura equilibrada ofensivamente, deixando a ressalva para traz. No primeiro tempo foi bem, criando ações ofensivas e dominando o adversário como um todo. Abriu o placar no final do primeiro tempo e manteve o domínio da partida.
No segundo tempo baixou as linhas de defesa e deu ao adversário a oportunidade de ficar com a bola. Após o segundo gol, que ocorreu no início da etapa final, passou a jogar nos contra-ataques, se defendendo com linha de 5 jogadores. O Al Ahly até tentou diminuir o placar, mas esbarrou na boa qualidade do goleiro Weverton.
A meu ver, o técnico Abel Ferreira fez o Al Ahly provar do próprio veneno. O time egípcio foi cirúrgico derrotando o Monterrey nas quartas de final, pois utilizou a mesma estratégia contra o time mexicano, que era favorito nas quartas de final desse torneio. Naquele jogo o Al Ahly conseguiu ser rápido e contundente na criação de contra-ataques.
Mas, não conseguiu frear as jogadas que deram origem aos gols do Palmeiras, que surgiram da mesma forma, ou seja, em contra-ataques, ratificando a memória tática da equipe brasileira. O elenco palmeirense mostrou excelente capacidade de concentração, pois não se abalou com a pressão de ainda não ter conquistado um Mundial, na era moderna.
O próximo adversário do Verdão será o vencedor do confronto entre Chelsea, da Inglaterra e Al Hilal, da Arábia Saudita. Disputando a final do Mundial, seja qual for o adversário, será, com certeza, um confronto mais difícil e exigirá muito mais atenção e foco da equipe brasileira.
Se for o Al Hilal, o Palmeiras assumirá o favoritismo da partida, mas terá que comprova-lo com desempenho equilibrado, pois a equipe saudita, apesar de inferior tática e tecnicamente, venceu com facilidade seu confronto das quartas de final, goleando o Al Jazira.
Por outro lado, o Chelsea apesar de não estar em seus melhores momentos, é um time tradicional da Liga Inglesa, sendo o atual Campeão Europeu. Com elenco qualificado, dentre outros o zagueiro Thiago Silva, o volante Jorginho e o atacante Romelu Lukaku e sob o comando de Thomas Tuchel, consegue variar seu modelo de jogar de acordo com as características do adversário.
O Chelsea consegue ser reativo ou controlador. Joga fechado em contra-ataques ou utiliza a posse de bola para envolver o adversário. E, esse hibridismo tático provavelmente irá dificultar a partida para o Palmeiras. Na minha visão, o Verdão, se quiser vencer, terá que adotar postura conservadora, só agredir o adversário quando tiver oportunidade clara e segura e tentar errar o mínimo possível.
Como Abel Ferreira tem o time na mão, terá que trazer a campo um time produtivo, que transite entre sua forma preferida de jogar, mas tendo calma para tocar a bola até encontrar o espaço na defesa adversária. A forma reativa que é a mais utilizada pelo Palmeiras, com linhas baixas, objetivando tirar os espaços do adversário e sendo eficaz no terço final do campo, terá que dar lugar a uma equipe paciente que consiga chegar ao setor ofensivo com posse de bola.
A equipe do Verdão, para conseguir chegar ao título inédito, terá que continuar mostrando maturidade e focar em apresentar futebol qualificado, frente a qualquer um dos adversários. Se a lógica prevalecer, o Palmeiras terá a seu favor o período irregular que o Chelsea enfrenta, o que diminui a diferença técnica entre o futebol sul-americano e o europeu.
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