Muito antes de Abel Ferreira conquistar uma Copa do Brasil e duas Libertadores pelo Palmeiras e se tornar um dos maiores técnicos do país, um brasileiro viu o início de carreira do treinador do Verdão como jogador em Portugal.
Marcos Nangi, o Marcão, começou na Ponte Preta, teve uma passagem pelo Grêmio e em 1995 chegou ao futebol português. O então atacante foi vestir a camisa do Penafiel, clube no qual o lateral-direito Abel Ferreira deu os primeiros passos como jogador.
"Minha convivência com o Abel Ferreira foi de dois anos no Penafiel. Na época eu tinha entre 28 e 29 anos e como o Abel é dez anos mais novo que eu, tinha entre 18 e 19. Ele era um menino quieto quando treinava contra o profissional, porque ele era dos juniores, dos miúdos. Mas a gente tinha contato quando treinava junto (profissional contra juniores) e os meninos juniores com os profissionais eram mais quietos. Principalmente em Portugal, eles respeitam e tem admiração com os profissionais. E era assim também com o Abel. Mas com a equipe dele, de juniores, ele já tinha um certo comando, falava bastante e posicionava os amigos da equipe. Ele era lateral-direito, então ajudava bastante na defesa e comandava legal já. Tinha um comando bem forte quando a gente treinava contra".
Marcão também conta que os atletas da equipe profissional do Penafiel gostavam do futebol que o jovem Abel Ferreira apresentava nos treinamentos.
"O Abel como jogador era dedicado, disciplinado e muito bom tecnicamente. Inclusive nós, jogadores do profissional, comentávamos dos destaques entre os meninos juniores e ele era um dos principais atletas do time. Então, a gente comentava que aquele menino iria longe. E ele foi mesmo, tanto que ele teve uma carreira longa no Sporting".
Unindo o útil ao agradável
Marcão hoje mora em Valinhos, no interior de São Paulo, onde tem uma escolinha de futebol. Está na expectativa pela decisão do Mundial de Clubes, neste sábado, às 13h30 (de Brasília), entre Chelsea e Palmeiras em Abu Dhabi. E não é só por causa de Abel Ferreira que ele vai torcer pelo Verdão.
- Sem dúvida eu iria torcer pelo Abel, por nos conhecermos, por termos jogado juntos em Penafiel. Mas eu uni o útil ao agradável porque eu sou palmeirense de coração, minha família é Palmeiras. Eu sou Palmeiras e Ponte Preta. Tenho uma escola de futebol da Ponte, dou aula para as crianças e sigo o mesmo caminho do Abel. Sou treinador, não de categoria de base ou profissional, mas eu faço uma coisa que eu gosto muito, que julgo maravilhoso, que é ser treinador das crianças. Então, eu sou grato e torço pela Ponte e também pelo Palmeiras, que vem de família. A torcida é dupla pelo Abel Ferreira.