Se havia alguma dúvida ou desconfiança, a final da Recopa Sul-Americana serviu para mostrar mais uma vez o crescimento de Danilo no meio-campo do Palmeiras. O volante vem subindo de produção a cada temporada. À medida que se desenvolve, ganha experiência e rodagem, e entende os detalhes da sua função.
Danilo tem apenas 20 anos, completa 21 no próximo mês e atua profissionalmente desde os 17, quando ainda jogava no Cajazeiras, na 2ª divisão da Bahia. Foi contratado para a base do Palmeiras em 2018, mas só ganharia espaço no clube no ano seguinte, já na categoria Sub-20.
Com o destaque obtido, subiu aos profissionais em 2020, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, mas teve sequência mesmo na equipe titular com Abel Ferreira, a partir de novembro daquele ano. Atuou o tempo inteiro na final da Libertadores, por exemplo, contra o Santos, e na sequência caiu de produção.
A retomada veio dois meses depois da participação fraca que teve no Mundial de Clubes. Reassumiu a condição de titular com frequência e se tornou uma das principais peças da campanha do bi da Libertadores em cima do Flamengo.
Na maioria das vezes como primeiro homem de meio-campo, seja à frente de três zagueiros ou de uma linha de quatro, melhorou bastante o aproveitamento nos duelos defensivos. Mais firme, bem-posicionado e concentrado. Menos afobado!
Danilo nunca foi um volante de dar o famoso ''migué'' na marcação. Sempre se dedicou, mas aprimorou as técnicas defensivas de forma nítida. Posicionamento do corpo em relação ao adversário, percepção dos espaços de cobertura e virilidade nos botes.
Ainda há um longo caminho para percorrer, mas a melhora já o coloca num rumo projetado por muitos: o futebol europeu. Há qualidade para alcançar um bom nível dentro das principais ligas do Velho Continente.
Na distribuição das jogadas também há margem de evolução. Tem ótimo passe médio e longo, arrisca, possui personalidade para buscar a verticalidade no jogo, mas ainda peca a leitura de alguns lances. Mesmo assim o nível é alto para a sua idade, assim como o comportamento nas transições defensivas e ofensivas.
Um outro detalhe interessante de avaliar é a qualidade de sua chegada ao ataque. Danilo atacava mais até 2020, mas a eficiência cresceu agora. Passou a entender que a precisão no terço final do campo, muitas vezes, vale mais do que a frequência para um volante. Melhorou as finalizações e as decisões de último passe. Consequentemente vieram mais gols e assistências.
2022 ainda está no começo e Danilo fez sete jogos, marcou um gol até aqui. Se prosseguir o salto de qualidade dado entre 2020 e 2021, pode terminar a atual temporada num status ainda maior do que tem, e até mesmo se postular a brigar por vaga no próximo ciclo de Copa do Mundo com a Seleção.