Criticado no Palmeiras, ex-lateral Lúcio encontrou paz no São Paulo

10/3/2022 09:40

Criticado no Palmeiras, ex-lateral Lúcio encontrou paz no São Paulo

Criticado no Palmeiras, ex-lateral Lúcio encontrou paz no São Paulo

"No São Paulo, joguei bem menos em termos de qualidade do que joguei no Palmeiras, e mesmo assim parecia que eu estava fazendo chover". Essa frase define o alívio que o ex-lateral Lúcio encontrou ao pular o muro dos rivais vizinhos da capital paulista em 2006. No Palmeiras, onde era chamado de "vagabundo" por parte da torcida, o agora atleta de futevôlei acredita ter sofrido uma perseguição injusta. Ainda hoje, aos 42 anos, busca explicações para o tormento que viveu em suas últimas temporadas no Verdão.



Lúcio chegou ao Palmeiras para disputar a Série B do Campeonato Brasileiro de 2003. Era um pedido do técnico Jair Picerni, com quem havia trabalho no São Caetano. Pesava a favor do lateral uma boa campanha pelo Ituano, campeão paulista de 2002, quando os grandes clubes ficaram fora da disputa pela realização de uma edição maior do Torneio Rio-SP. E os primeiros meses foram promissores. Ao lado de jovens como Vagner Love, Lúcio ajudou o Palmeiras a vencer a segunda divisão e retornar à elite nacional em 2004, mas uma entrevista bem-humorada concedida ao jornalista Jorge Kajuru acabou jogando uma pressão extra sobre o lateral-esquerdo.


Em um programa na Band, Kajuru afirmou que Lúcio estava entre os quatro melhores laterais do mundo. O palmeirense, aos risos, concordou. E aí bastou o time enfrentar momentos mais conturbados na temporada para que a brincadeira se virasse contra Lúcio. O Palmeiras tropeçava, a torcida buscava culpados. Lúcio foi o bode expiatório, tudo com um toque de ironia — nada fina — ao entoar o canto de "Lúcio vagabundo, é o pior lateral do mundo".



"No estádio, sempre quando o resultado era negativo, pegavam no pé meu", relata Lúcio em entrevista ao UOL Esporte. Ele recorda que até mesmo jogadores com mais história no Palmeiras sofriam muito em uma época já bastante distante de crises no Palestra Itália, como aconteceu com o goleiro Marcos, um dos maiores ídolos alviverdes. Mas Lúcio tem certeza que ninguém foi tão injustiçado quanto ele próprio. Em sua visão, por ser um lateral-esquerdo com um número razoável de gols marcados, algo inesperado para a posição, deveria ter sido mais respeitado.


"Quando é um atacante, que é cobrado para fazer gols, eu até entendo. Agora, no caso de um lateral, como foi o meu, eu desconheço", desabafa o pernambucano de Olinda, que guarda na memória um dia em que seu irmão foi assistir a um jogo no velho Palestra Itália e parecia não acreditar que a torcida já xingava Lúcio antes mesmo de a bola rolar: "Estavam me xingando e meu irmão não reparou, perguntou quem era o atacante que a turma estava pegando no pé. Falaram que era o Lúcio, lateral-esquerdo, e ele respondeu: 'Poxa, mas nem começou o jogo e já estão xingando? O cara já fez um monte de coisa positiva e agora, que não está conseguindo, acontece isso?".


E dentro dessa mágoa sobre a perseguição que diz ter sofrido no Palmeiras sobra espaço até para críticas à imprensa. Lúcio crê que o papel dos jornalistas deve ser relatar se o jogador realmente está jogando mal ou com problemas físicos, por exemplo, e não reproduzir o que os torcedores gritam nas arquibancadas. "Foram 23 anos dentro do futebol e vi muita injustiça acontecer. O normal seria a imprensa, a partir das vaias da torcida, entender se o jogador está mesmo errando muitos passes, apurar o que é verdade. Isso é o certo. Mas no meu caso, a torcida xingava, a imprensa via que muitas vezes era injusto, porque eu tinha feito gol ou dado assistências, e mesmo assim noticiavam os xingamentos. Para mim, isso não é sobre o que acontece no campo. É algo pessoal. Eu não estava mal, não. Foi uma perseguição fora de contexto", reclama.



Nos últimos dez anos, no entanto, é fácil encontrar entrevistas de Lúcio em que ele nega ter mágoas do Palmeiras. Em muitas das reportagens que participou, declarou o desejo de jogador novamente pelo clube, como na época do segundo rebaixamento à Série B do Brasileirão. Mas, ao mesmo tempo, o sentimento de injustiça permanece, e ainda se intensifica quando o ex-lateral, que hoje participa de torneios profissionais de futevôlei, lembra como foi tratado no São Paulo ao ser emprestado em 2006.


"O Leão era o técnico do Palmeiras, me perguntou quantas temporadas eu já tinha de clube e sugeriu que era a hora de dar uma girada. Até então nunca tinha aparecido nada. Eu penso assim: se você, jornalista, está sendo hostilizado, dizem que você não presta, não tem qualidade nenhuma, você não vai acabar sendo contratado por um outro veículo grande? Então, como um cara como eu, tão xingado pela torcida, ia parar no time tricampeão mundial? Tinha alguma coisa errada. A saída para o São Paulo foi contrária a toda negatividade que tentavam colocar na minha carreira e provou que estavam errados, que era de fato uma perseguição. Depois, ainda ouvi de palmeirense que eu era traidor, que tinha virado as costas. Nunca vou entender", pondera.


A passagem de Lúcio pelo São Paulo foi extremamente discreta. Chegou para a disputa do Brasileirão de 2006, foi reserva de Júnior e preterido até pela improvisação de Richarlyson na lateral esquerda. Ao todo, sob o comando de Muricy Ramalho, foram 11 jogos e o título da Série A, quebrando jejum que durava 15 anos no Morumbi. Mas o que marcou mesmo a vida de Lúcio foi a sensação de paz que encontrou na equipe rival.



"Foi outra vida. E mais uma vez tive provas de que no Palmeiras foi realmente uma perseguição. Tanto que quando termina os jogos os caras falavam 'caramba, como é que os caras estavam te xingando e você correndo desse jeito, participando de todas as jogadas?'. Não tinha como entender. Até hoje, todo mundo me faz essa pergunta para tentar explicar o fato de a torcida do Palmeiras ter pegado tanto no meu pé. Então, pronto. Minha resposta é essa: eu fui para outro clube, em que eu estava jogando a mesma coisa ou até menos, e parecia que eu estava jogando o esplendor do futebol", compara.



Lúcio se aposentou dos gramados em 2020, após defender o Tupynambás, de Juiz de Fora, Minas Gerais. Depois de ser emprestado pelo Palmeiras ao São Paulo em 2006, teve duas passagens pelo Grêmio, clube pelo qual foi vice-campeão da Libertadores de 2007 como titular e onde deseja, um dia, ter a chance de ser treinador. A carreira longeva também ficou marcada por passagens por Hertha Berlin, da Alemanha, Náutico, Fortaleza, Salgueiro, Santa Cruz, Veranópolis, Taboão da Serra, Operário de Dourados e Batel.

#palmeiras #verdao #alviverde #lucio #saopaulo #lateral


7545 visitas - Fonte: Uol Esportes

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Cesar Rodrigues     

A PEPA TÁ NERVOSA, CHORA SEM MUNDIAL, NUNCA SERÃO KKK ESSE TAL DE 51 É PINGA

Thiago Ferraz     

O que os gambas e os trikas ganharam ? Kkkkk

Thiago Ferraz     

Fica quieto gamba vai pagar as contas vcs estão virando o inter de limeira kkkkk logo logo fica sem arena

Cesar Rodrigues     

Chora pepas, cadê o mundial??? 51 é pinga kkkk

Emanoel Ferreira     

Ele ta ai porque o são paulo não tem assunto pra fala

acepan acepan     

O que esse babaca faz aqui....caiu do caminhão de lixo e bateu a cabeça ????....sai fora Bambi...????

GUILHERME SPFC     

Palmeirinha bi rebaixado e não tem mundial

GUILHERME SPFC     

Palmeirinha FREGUÊS!!!

GUILHERME SPFC     

Lúcio jogar em um clube Tri Campeão Mundial e que nunca caiu é privilégio de poucos. Sinta se orgulhoso por ter vestido a camisa do maior clube da América do Sul.

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