[ANÁLISE] Abel Ferreira e a construção com três jogadores: mudanças com o mesmo objetivo tático

15/3/2022 11:01

[ANÁLISE] Abel Ferreira e a construção com três jogadores: mudanças com o mesmo objetivo tático

Contra o Santos, o treinador português mudou diversas vezes os jogadores que faziam a chamada saída de três, mas manteve o objetivo: abrir espaço para o time tocar a bola

[ANÁLISE] Abel Ferreira e a construção com três jogadores: mudanças com o mesmo objetivo tático

Com um ano e cinco meses de trabalho, Abel Ferreira pode dizer que o Palmeiras tem sua cara. Todos os conceitos do treinador são visíveis na evolução do time desde a primeira conquista. Um desses conceitos foi fundamental na vitória contra o Santos, por a 1 a 0: a construção com três jogadores.



Também chamada de saída de três, a construção com três jogadores no Palmeiras se faz com a presença de um jogador na mesma zona dos zagueiros quando o time tem a posse e começa a tocar a bola até o ataque. Por isso o nome "construção": é quando a equipe pensa se vai atacar por fora ou por dentro. Se vai forçar um passe ao ataque ou jogar mais curto.


Contra o Santos, o Palmeiras começou com Jorge nesse movimento de recuar e preencher uma zona com três jogadores. O lateral foi um pedido de Abel Ferreira por fazer o mesmo movimento com Jorge Sampaoli no Santos, e já jogou de zagueiro no Palmeiras.



O que Abel coloca no Palmeiras, agora com tempo de trabalho, títulos e opções no elenco, é uma mudança constante em quem faz essa saída junto à zaga. Logo no começo do trabalho, em 2020, era Felipe Melo quem fazia esse movimento - assim como Felipe fazia com os técnicos anteriores que adotavam essa dinâmica de jogo, como Roger Machado, Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes.


Mas Abel foi variando. Primeiro com Marcos Rocha, que se tornou um especialista em receber a bola dos zagueiros e pensar o jogo mais por dentro, mas no lado direito. Depois com Danilo e até com Piqueréz, que se desenvolveu muito com Abel e virou até zagueiro. Contra o Santos, a construção a três foi feita com diversos jogadores.


Em alguns momentos, era Jaíson quem afundava entre a zaga, como no exemplo abaixo.



Em outros momentos, era Mayke que fazia essa saída, como você vê na imagem abaixo.



Os jogadores podem mudar, mas o conceito é sempre o mesmo: construir com três jogadores para garantir uma saída de bola segura, sem perdas para o adversário, e deixar ao menos um jogador bom de drible e condução, como Dudu, mais próximo do gol. É o que Abel chama de "jogar por conceitos". Não importa o nome, a posição ou função em campo. Importa qual tipo de conceito o time quer aplicar naquele momento.


No livro "Cabeça Fria, Coração Quente", assinado por Abel Ferreira e toda a sua comissão técnica, o treinador explica essa construção com uma correlação com fazer amor.


"A construção da defesa com três jogadores é como fazer amor. Às vezes é na cozinha, outras na sala, outras no quarto, outras no banho. Mas é sempre com o mesmo objetivo. Na construção a três da nossa equipe, também é assim: às vezes com o lateral baixo, às vezes com o meio-campista a entrar no meio ou ao lado dos centrais, outras vezes com três zagueiros... Só mudam os jogadores. Porque a ideia é sempre a mesma: construir a três e garantir mais fluidez na construção e segurança no momento de perder a bola", Abel Ferreira.


O tempo de trabalho, tão pedido a treinadores no Brasil, está diretamente relacionado à jogar assim. Porque um time só vai absorver conceitos quando treina à exaustão e repete a lógica de cada treinador.


Um exemplo é o que Abel fez no segundo tempo contra o Santos: com um a mais, o técnico mudou a construção a três e colocou Marcos Rocha e Jorge na mesma linha de Kuscevic. Gustavo Gómez ficou mais à frente, quase como um volante. A ideia era que ele marcasse Ricardo Goulart para que os três construtores tivessem tempo e espaço para pensar o jogo. O Palmeiras não foi ameaçado e poderia ter feito mais, se não fossem as más finalizações.



A construção com três jogadores não é um esquema tático. O Palmeiras não "joga com três zagueiros" quando faz isso. Apenas inicia as jogadas ofensivas com uma linha de três que pode ser ocupada por qualquer jogador de linha que está no elenco. O objetivo será sempre o mesmo: manter a bola com qualidade lá atrás, aproximar os mais finalizadores e dribladores da área e garantir segurança quando há a perda da bola.


Afinal, se a maioria dos times pressiona a saída com dois jogadores, a linha de três garante que ao menos um estará solto para roubar a bola ou cobrir a jogada. É o que acontece aqui abaixo: Marcos Rocha anula o contra-ataque do Santos e consegue emendar um passe rápido ao zagueiro que estava fazendo a construção com três. Um time que defende bem consegue atacar melhor porque fica com a bola mais vezes.





A construção com três do Palmeiras é um dos itens que jamais muda com o português. Agora, esse conceito terá novos desafios pela frente. Contra times com um elenco mais recheado, como o Corinthians, o próximo adversário, ela precisará garantir a posse com uma pressão ainda maior e terá que ser mais atenta ainda para evitar contra-ataques. Coisas que o Palmeiras já provou ter no vasto repertório tático que Abel coloca na equipe.

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