Nesta quinta-feira (17), o Palmeiras recebe o Corinthians, às 20h30 (de Brasília), no Allianz Parque, em jogo atrasado da 6ª rodada do Campeonato Paulista. Após o jogo, o fã de esporte acompanha a melhor repercussão no Linha de Passe, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
O dérbi acontece dias depois do técnico do Verdão, Abel Ferreira, lançar seu livro "Cabeça fria, coração quente", no qual ele documenta sua trajetória no Brasil, desde que foi contratado do PAOK até a conquista do bicampeonato da Conmebol Libertadores, em cima do Flamengo, em novembro de 2021.
No apêndice da publicação, o português faz uma avaliação geral do futebol brasileiro, elogiando vários aspectos do esporte praticado no país, como a competitividade do Brasileirão, a qualidade técnica da maioria dos jogadores, as categorias de base, a qualidade de estrutura de vários estádios e CTs, a evolução da área médica e a paixão das torcidas.
Todavia, Abel também faz oito sugestões que, na sua opinião, ajudariam a melhorar o futebol brasileiro, fazendo a Série A evoluir e despertar de vez a atenção de estrangeiros.
"Nossa ideia não é fazer uma crítica ao futebol brasileiro – que, assim como o futebol grego, o futebol português e o futebol inglês, entre muitos outros, tem suas particularidades. Pensamos, sim, em melhorar o espetáculo do futebol no Brasil para o consumidor (torcedores e público em geral) e também as condições para os profissionais que dele fazem parte, em particular os verdadeiros protagonistas do jogo: os jogadores", escreve o treinador, em trecho do livro.
Veja as sugestões de Abel Ferreira para o futebol brasileiro:
1. Mudanças no calendário
"Em nossa opinião, a quantidade de jogos que os clubes brasileiros têm de disputar por temporada é o fator que mais prejudica a qualidade do Campeonato Brasileiro", aponta Abel Ferreira.
O treinador do Palmeiras salienta que um clube que disputa Brasileirão, Copa do Brasil e Estadual faz, em média, de 52 a 54 jogos por temporada. Caso jogue outras competições, como Libertadores/Copa Sul-Americana, e possivelmente o Mundial de Clubes, esse número pode subir para até 77 jogos em um ano.
De acordo com o português, esse número elevado de partidas "tem sérias implicações": na intensidade e na velocidade do próprio jogo; no número de lesões dos atletas, sobretudo dos que jogam mais; e no estado dos gramados das equipes que dividem estádio.
Por isso, Abel pede a proibição de jogos sem que haja o mínimo de 72 horas de intervalo entre eles (no futebol brasileiro, a regra é de 66 horas). Por isso, ele sugere distribuir os jogos ao longo de quatro dias (sexta, sábado, domingo, segunda) e não somente de dois ou três dias.
"Uma possível sugestão seria: um jogo na sexta, quatro jogos no sábado em quatro horários distintos, quatro jogos no domingo em quatro horários distintos, e um jogo na segunda. A realização dos 10 jogos em quatro dias distintos tem muitas vantagens em termos de operacionalização dos jogos dos campeonatos estaduais/nacionais com os campeonatos internacionais", sintetiza.
Por fim, Ferreira aponta que quando se prevê uma calendarização anual, deve ser considerado que um time poderá atingir todas as finais de todas as competições; ou seja, a calendarização deve contemplar as datas de acordo com a possibilidade de uma ou mais equipes brasileiras atingirem todas as finais de todas as competições.
"Seguindo esse princípio, deixa de existir a sobreposição de datas dos diferentes campeonatos – e consequentemente deixa de existir a necessidade de ajustar o calendário com tanta frequência", finaliza.
2. Redução dos Estaduais e padronização de regras
Abel Ferreira diz que "os campeonatos estaduais fazem parte da cultura do futebol brasileiro, além de serem fundamentais para a sobrevivência das Federações locais". Por isso, ele não sugere a extinção das competições.
No entanto, o português opina que é necessária a redução de datas dos torneios, fazendo os times que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro jogarem menos.
"Hoje, a realização dos Estaduais acarreta a disponibilização de 15 datas (Mineiro) ou 16 (Carioca e Paulista), em um total de quatro meses de competição. A alteração dos formatos dessas competições, com redução para cinco a oito datas de equipes que disputem a Série A e a Série B, contribuiria para uma calendarização anual mais ajustada das equipes envolvidas nessas duas disputas nacionais", ressalta.
Ademais, Abel afirma que os Estaduais deveriam ter formatos semelhantes, para que não haja desigualdade no número de jogos disputados entre os times quando começam os torneios nacionais.
"Não nos parece justo que os Estados tenham diferentes normas e regras, contribuindo para a desigualdade na preparação das equipas que posteriormente disputam as duas primeiras divisões do Brasileirão", aponta.
3. Datas Fifa funcionando como na Europa
Abel salienta que, com um calendário melhor ajustado, será possível parar os campeonatos nas Datas Fifa. Desta forma, os principais times do futebol brasileiro não ficam desfalcados de jogadores importantes enquanto eles servem suas seleções.
"Com esta medida, asseguramos que os atletas que representarão seus países não tenham de faltar aos jogos de seus clubes brasileiros, proporcionando assim a presença dos melhores jogadores em todas", escreve.
4. Profissionalização dos árbitros
Abel argumenta que uma das medidas mais urgentes a ser tomada no futebol brasileiro é a profissionalização total dos árbitros, de forma que eles consigam focar apenas na atividade esportiva, e não nos outros empregos e atividades que possuem.
"Ao contrário de outros países, os árbitros de futebol no Brasil não são profissionais – isto é, apesar de alguns viverem exclusivamente para o ofício, infelizmente não têm a preparação e a possibilidade de capacitação que árbitros de outros países têm para executar a mesma profissão. E não estamos falando da preparação que depende dos árbitros em si – pois acreditamos que eles fazem o melhor com os recursos que têm –, mas sim das condições de trabalho e dos recursos que lhe são oferecidos para se desenvolver na atividade", disserta.
O comandante palestrino aponta que a profissionalização dos árbitros tem os seguintes benefícios: logística de viagens mais ajustadas, em função de o árbitro ter somente um emprego; possibilidade de treinar todos os dias em estruturas de treino; possibilidade de contar com uma equipe multidisciplinar de acompanhamento (preparador físico, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta, entre outros profissionais); possibilidade de ter mais tempo para rever a performance e as decisões do último jogo; possibilidade de ter mais tempo para preparar o próximo jogo através de análise dos jogadores e equipes envolvidos no duelo; possibilidade de ter mais tempo para se reunir em local próprio e para discutir, debater ideias e partilhar experiências.
Ferreira ainda sugere que haja avaliação da performance dos árbitros de acordo com parâmetros previamente estabelecidos pela Comissão de Arbitragem, com consequente elaboração de uma classificação anual dos árbitros por escalões (A, B, etc.). Desta forma, haveria descida/subida de escalão ao final/início de cada temporada, de acordo com a soma das avaliações da Comissão de Arbitragem.
5. Controle da qualidade e manutenção dos gramados
O técnico do Palmeiras também pede maior atenção ao estado dos gramados em todo o território nacional.
"O controle de qualidade e a manutenção dos gramados é muito importante para a promoção do espetáculo, pois a velocidade e a intensidade do jogo dependem muito de suas condições", ressalta.
Abel Ferreira sugere que, a exemplo da Europa, a manutenção dos terrenos de jogo seja feita por uma "empresa única e externa aos clubes", de forma que haja maior padronização.
"À semelhança do que acontece em outros países, a realização desse serviço por parte de uma empresa única e externa aos clubes poderá ajudar à melhoria dos gramados no futebol brasileiro, em que pesem as condicionantes geográficas do país", observa.
"Mesmo sabendo que já existe uma regulamentação em vigor no futebol brasileiro, a mesma tem-se demonstrado frágil e vulnerável; por isso, sua revisão seguindo as normas e regulamentação da Fifa é importantíssima", acrescenta.
6. Rega obrigatória do gramado em todos os estádios
Ainda falando dos gramados, o português sugere que eles sejam regados de forma obrigatória e padronizada em todos os estádios, sempre antes do jogo e também no intervalo.
Segundo Abel, esse processo é feito de forma diferente em cada estádio, o que atrapalha.
"No Brasil, temos vivido situações totalmente distintas, dependendo do estádio onde jogamos, uma vez que a rega é opcional. Por isso, a regulamentação da rega obrigatória – para gramados naturais e artificiais – pode ser uma contribuição importante para a qualidade do espetáculo, pois já está comprovado que a velocidade e a intensidade do jogo aumentam", explica.
7. Finais em jogo único e campo neutro
Abel diz que ele e sua comissão técnica ficaram "confusos" com o grande número de finais em jogos de ida e volta no futebol brasileiro, como nos Estaduais e na Copa do Brasil.
O comandante alviverde opina que finais em jogo único e campo neutro seriam "uma forma de valorizar o produto a nível comercial e esportivo". Todavia, ele também reconhece que isso é difícil de ser aplicado no Brasil, pelo tamanho do país e as dificuldades de deslocamento pelo território nacional.
"Entendemos que as condicionantes geográficas do Brasil possam ser um ponto contra a nossa sugestão – por conta de possíveis dificuldades de deslocamento de uma ou duas torcidas para um destino talvez muito distante –, mas pensando somente no futebol e nas vantagens e desvantagens de uma final em jogo único, entendemos que esse modelo de decisão em campo neutro é aquela que mais permite a igualdade de condições esportivas", ressalta.
Na visão de Ferreira, a final única da Conmebol Libertadores, adotada desde 2019, é um exemplo a ser seguido.
"Os resultados a nível financeiro foram espetaculares, com a transmissão da grande final para um total de 191 e 192 países, em 2020 e 2021 respectivamente. Além da Libertadores, existem bons exemplos desse formato nas maiores competições de clubes dos outros continentes", complementa.
8. Fair play financeiro
A última sugestão de Abel é que haja maior controle externo nas finanças dos clubes. De acordo com o português, a situação em muitas equipes é "preocupante".
"No futebol brasileiro, a saúde financeira dos clubes é preocupante – e piorou com a pandemia. Existem clubes com dívidas astronômicas que continuam a gastar dinheiro em contratações e salários altos, sem qualquer limite ou controle financeiro; tais ações podem ter implicações drásticas no futuro", aponta.
Para o comandante, deve haver uma fiscalização similar à feita pela Uefa nos clubes europeus, com regras de fair play financeiro que proíbem prejuízos consecutivos e estimulam o equilíbrio na balança de compras e vendas de atletas.
"Um maior controle financeiro por parte das instituições de poder evitará que os clubes acumulem dívidas excessivas e não atinjam altos níveis de precariedade, como estamos a assistir em alguns casos. Além disso, essa será outra forma de promover a igualdade no esporte e entre os que competem pelos mesmos objetivos", afirma.
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Viu, Guilherme, o Abel é casado ele não quer comer o teu cu não...BAMBI bichona...
Nesse livro fala do mundial do Palmeiras???
Isso seria maravilhoso se os organizadores não pensasem apenas em ganhar muito dinheiro.
Grande Abel...já faz parte da historia do Palmeiras...