O Palmeiras dominou a maioria das ações na vitória de quinta-feira por 2 a 1 contra o Corinthians, mesmo terminando o Dérbi com apenas 37% de posse de bola. A estatística é tema de frequentes debates no futebol brasileiro, mas não tem a mesma importância para Abel Ferreira.
Ainda que muitas análises definam um time como retranqueiro ou não pelo tempo que passa com a bola, o treinador português elenca outros fundamentos que considera mais importantes do que a posse pura e simples.
"Para mim, posse de bola não ganha jogo. Os fatores de rendimentos são esses: remates à baliza, recuperações de bola, fazer cruzamentos de qualidade e competir. Nossa equipe tem isso, é inteligente, sabe jogar o que o jogo pede, tem margem para crescer. Para mim, Abel Ferreira, é isso. Não quero fazer posse de bola no meio de campo, posse de bola não ganha jogo", afirmou.
Isto não significa que o Palmeiras jogue sempre com menos posse. A estratégia leva muito em conta o adversário. Contra o Santos, por exemplo, o Verdão foi melhor jogando mais tempo com a bola, enquanto diante do Corinthians o time preferiu encurralar o rival com uma marcação encaixada no campo de ataque.
Levando em conta os três clássicos do Paulistão e os dois duelos da Recopa Sul-Americana contra o Athletico-PR, em três deles o Verdão teve mais a bola do que o adversário. Exceto contra o São Paulo, nos outros o time foi também aquele que mais finalizou no confronto.
Números do Palmeiras contra times da Série A em 2022
"Há jogos em que vamos ter mais posse de bola, quando estamos pelo resultado e o adversário se fecha. É assim na Europa, em todo lado, só não vê quem não quer ou não percebe. Competir para mim é a base de tudo. O resto eu deixo para quem está em casa, a comentar, a continuar pensar da maneira que pensa. Esses são meus fatores de rendimento", reforçou Abel.
Com um trabalho de 16 meses da atual comissão técnica, o Palmeiras tem cada vez mais um time que sabe quais movimentos fazer de acordo com quem enfrenta. Há diferentes planos para rivais que atuam em blocos mais baixos, ou para aqueles que jogam com mais pressão.
Esta capacidade de adaptação é o que faz Abel considerar que este time adota uma estratégia inteligente, dependendo daquilo que o confronto pede.
"Nossa equipe é muito inteligente. Às vezes perguntam a filosofia de jogo, é uma filosofia inteligente. Uma que permite desenvolver os jogadores, a equipe basicamente é a mesma (desde sua chegada). Vocês veem rendimento, recuperações, cruzamentos, equipe a competir. Isso tem que continuar a fazer", avisou.
"A minha parte, que fique claro, nas vitórias e nas derrotas é de 30%, a dos jogadores é 70%. São eles os protagonistas, os que jogam, eles que têm sede de ganhar. É um orgulho ser treinador deles. Querem mais, mais e mais. Avante por mais. Focar nos treinos, recuperar, treinar duro para quando chegar no momento do jogo, essa tem que ser a atitude. Que nossos torcedores se revejam na atitude e na mentalidade dessa equipe."
Neste ano, o Palmeiras perdeu apenas um jogo, para o Chelsea, na final do Mundial de Clubes. O time está invicto no Paulistão (nove vitórias e dois empates), é dono da melhor campanha e assegurou o primeiro lugar geral até uma possível final, o que dá a vantagem do mando de campo durante o mata-mata.