"A sociedade vive uma crise global de valores" diz Abel sobre os casos de racismo na Libertadores

1/5/2022 10:13

"A sociedade vive uma crise global de valores" diz Abel sobre os casos de racismo na Libertadores

Após a vitória do Palmeiras sobre a Juazeirense neste sábado, Abel Ferreira concedeu entrevista coletiva e falou sobre os recentes casos de racismo que foram registrados durante os últimos jogos da Libertadores.

Contra o Emelec-EQU, na última quarta, um torcedor da equipe equatoriana falou diversas vezes a palavra "macaco" em direção à torcida palmeirense. Abel deu uma longa resposta a respeito do tema, dando sua visão sobre os recorrentes episódios na América do Sul.



"Esse é um tema muito sensível. Hoje, você tem que ter muito cuidado quando fala sobre esse tema. O que acho é que todos nós, enquanto agentes do futebol, temos responsabilidade. Eu tenho responsabilidade, os jogadores têm responsabilidade. Depois, isso tem a ver com a formação de cada pessoa. Por isso que digo que, para mim, uma das maiores ferramentas que existem é a educação, a leitura e a formação. Todos nós temos que caminhar nesse sentido. Se nós nos lembrarmos da Inglaterra 15 anos atrás, todos nós seguramente nos lembramos. Aos poucos, foram criando regras para banir essas pessoas em particular e, muitas vezes, castigar os clubes de forma séria. Se nós lembrarmos, o Liverpool teve uma série de anos fora das competições, por causa de comportamentos", disse Abel.

"Da minha parte, lamento e fico triste, porque para mim o futebol é espetáculo. Tenho que ir ao futebol para me divertir com a minha equipe, apoiar minha equipe. Eu não tenho que ir ao futebol para descontar nas pessoas que estão lá as minhas frustrações pessoais. Muitas vezes, isso acontece, sobretudo se a equipe não estiver ganhando. Muitas vezes, essa pessoa não tem uma intenção maliciosa. Porventura, teve um problema com a mulher, discutiu com o filho, vai para o campo de saco cheio e fala aquilo que não deve, mas talvez não com a intenção que muitas vezes queremos atribuir. Mas não pode, temos que olhar para isso, e acredito que as pessoas competentes para isso o vão fazer. Mas isso depende de todos nós. Não é aqui. A sociedade global tem uma crise muito grande de valores. Quando falo de valores, falo de respeito, de gratidão, de pedir desculpa. Tem uma crise de valores, mas não é só na América do Sul, é de forma geral. O mais simples é fazer bem pelo próximo, respeitar o próximo, pedir desculpa ao próximo, e hoje nós não vemos isso. Vemos o contrário", completou.

Na última terça, um torcedor do Boca Juniors foi detido pela Polícia Militar ao imitar um macaco no setor visitante da Neo Química Arena. No dia seguinte, Consulado da Argentina pagou uma fiança de R$ 3 mil e conseguiu a liberação do infrator.

Também na terça, torcedores do Red Bull Bragantino flagraram ofensas racistas proferidas por fãs do Estudiantes. Os argentinos imitaram o som de macaco e gritaram "mono" (em espanhol, macaco). Nesta quarta, o Massa Bruta se pronunciou sobre o ocorrido e revelou que denunciou o episódio à Conmebol.

Um dia depois, durante a partida entre Universidad Católica-CHI e Flamengo, imagens flagraram um torcedor da equipe mandante imitando um macado. Ainda neste jogo, objetos foram arremessados em direção aos fãs rubro-negros. Uma criança chegou a ser ferida, segundo o clube.

Há duas semanas, durante a partida entre River Plate e Fortaleza, pela Libertadores, um torcedor da equipe de Buenos Aires atirou uma banana em direção à torcida do Leão. O clube argentino identificou o aficionado e o suspendeu por seis meses.


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