Abel Ferreira fala sobre experiências na carreira em palestra na CBF

4/5/2022 12:07

Abel Ferreira fala sobre experiências na carreira em palestra na CBF

Abel Ferreira fala sobre experiências na carreira em palestra na CBF

Para uma sala virtual com 300 pessoas para renovação de licença A e PRO da CBF Academy, Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, falou por três horas para colegas brasileiros, no último dia 18 de abril. Assim como fez no livro "Cabeça Fria, Coração Quente", o jovem treinador de 43 anos se abriu sobre a carreira, estudos e a metodologia que o coloca como um dos principais nomes no futebol brasileiro.

O técnico português, que comandou mais uma goleada do Palmeiras na noite dessa terça na Libertadores, foi simples, transparente e ultrapassou o tempo previsto em mais de uma hora para se colocar à disposição de outros jovens treinadores e também os mais experientes em atividade no país.



– Tudo o que eu puder fazer para retribuir o que o futebol brasileiro me proporcionou, eu vou fazer. E falar de futebol com pessoas do futebol é um prazer para mim.

A breve resposta foi enviada pelo treinador por meio da assessoria de imprensa.

Bicampeão da Libertadores, Abel foi uma das atrações de ciclo de palestras que também teve Cuca, ex-técnico do Atlético-MG, e Evandro Mota, brasileiro que atuou recentemente na comissão técnica de Jorge Jesus no Flamengo. Ele surpreendeu a muita gente pela franqueza do papo.

– O mais legal foi isso, o comportamento dele. Estava muito contente de estar ali, de ser convidado. A humildade dele, uma preocupação zero de falar sobre a metodologia. Falou de tudo, de como organiza os treinos, da gestão de grupo, de preparação para jogos, de recuperação, de preleção. Foi bom para caramba – resume o técnico Cristóvão Borges.

Ex-técnico de Vasco, Flamengo, Corinthians, Cristóvão trabalhou pela última vez em fevereiro de 2020, quando foi demitido no Atlético-GO depois de sete jogos, com 66% de aproveitamento. Abel usou a palestra também para se solidarizar com os treinadores brasileiros. Classificou o calendário como "uma loucura" e, como fez em entrevista no "Roda Viva", citou Telê Santana e contou o que viu no Brasil.

– Ele foi bastante desnudo. Foi aberto falando sobre como começou a carreira, que pensava de uma forma e depois mudou – conta Mauricio Barbieri, técnico do Bragantino, um dos líderes do Brasileiro.

Com parte da formação como treinador na escola portuguesa há 18 anos, Barbieri toca num ponto que norteou parte do papo de Abel – o título da palestra era "Ideias sobre o jogo, o treino e a liderança". O treinador do Palmeiras, que começou no Sporting de Lisboa, depois passou pelo Braga e foi trabalhar no PAOK, da Grécia, mostrou como a experiência lhe ajudou a ser um treinador melhor.

– Ele tentou implementar algumas coisas, mas os jogadores não se sentiram confortáveis. Então entrou num acordo, no bom sentido. O que ele queria dizer era que não é um treinador de um sistema só, pode variar em função do adversário. E assim deu exemplo do dia a dia no Palmeiras. Da preleção que fez contra o Del Valle, quando ele comentou: "peguei essa porque deu tudo certo, mas nem sempre acontece" – lembra Barbieri.

O técnico do Bragantino, que está no cargo desde setembro de 2020 - algo raro no futebol brasileiro -, teve seu time citado por duas vezes por Abel Ferreira. O treinador português não sabia da presença do colega entre os convidados da palestra e fez referência ao time de Bragança como exemplo positivo de organização tática - tratou de sistemas diferentes de marcação - no futebol brasileiro.

A preleção de 10 minutos contra o Del Valle (5 a 0 para o seu time na fase de grupos) foi usada para Abel mostrar o "filé mignon", como brincou. Ele também exibiu outros vídeos de jogos da última Libertadores. Quase sempre mostrando variações táticas e a flexibilidade de sistemas.

– Ele não se define como treinador de um sistema de jogo. Não é apegado a um sistema e muda muito. Mostrou o time dele em linha alta, pressionando ou esperando e induzindo a marcação da equipe adversária para eles levarem a bola para um lado. Tratou mais dessas ideias do que de falar se joga no 4-2-3-1, no 3-5-2, se usa saída com três jogadores... – relata Cristóvão.

Produto das experiências que teve, Abel modificou sua maneira de pensar principalmente pela experiência na Grécia. No PAOK, foram 57 jogos, com 31 vitórias, 13 empates e 10 derrotas. E uma lição que moldou sua carreira, como conta o preparador físico Alex Fernandes, que renovou a licença A no curso da CBF Academy.

– Ele apanhou muito na Grécia, então é natural que vá aprendendo. Contou do que achou que fez errado lá. Teve aquela coisa de "vou chegar e é do meu jeito". Ele queria marcar pressão lá em cima, como faz com o Palmeiras, por exemplo, mas o capitão o procurou e disse: "pede qualquer coisa, mas abre mão disso. Não conseguimos". E ele disse que o seu jogador tinha razão. "Errado estou eu" – conta Alex, que trabalhou com Marcelo Lippi e Felipão no futebol chinês.

Com licença da UEFA, o jovem treinador de 33 anos Luiz Fernando Iubel, com passagens como auxiliar em diversos clubes brasileiros da Série A, viu semelhanças na palestra de Abel do que aprendeu da metodologia de José Mourinho, de quem Abel é fã declarado.

– É muito organizado, contou como trabalham os quatro ou cinco que ele levou. Definições muito claras de um que vai cuidar da parte ofensiva, outro da defensiva, de adversários, tudo de maneira bem meticulosa. Um nível de detalhamento maior do que eu já tenha visto anteriormente – compara.

Ao mesmo tempo que mostrou o filé mignon do que conseguiu na carreira até aqui e também das dificuldades, Abel lembrou estratégias de jogo e contou que não gosta de municiar os atletas com muitas informações. Pois pode confundi-los e atrapalhar em campo.

Ele também tratou de adaptações necessárias ao tempo escasso de trabalho no Brasil. Explicou que quando tem intervalo de 72 horas entre uma partida e outra – com jogo após as 20h, por exemplo, numa quarta-feira – decidiu por fazer trabalhos leves pela manhã. Para alguma assimilação tática ou trabalho de bola parada.

– Deve ser tudo pautado em cima de recuperação do atleta. Mas é algo que muita gente usa, mas outros não. É comum no vôlei, em outros esportes – lembra Cristóvão.

A discussão na palestra também tratou de questões culturais para modificar comportamentos no futebol brasileiro.

– Se o jogo for cedo, por volta de 18h, ele não faz. Também não faz se for viagem. Eu, por exemplo, não tenho hábito de fazer. Os treinadores que vêm de fora têm esse hábito. É interessante, mas ainda há resistência cultural. Lá fora se faz isso com mais naturalidade, porque existe outro calendário. Agora, é questão de escolha, de método, porque com pouco tempo pode ser melhor recuperar – opina Barbieri.


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2925 visitas - Fonte: globoesporte.com

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acepan acepan     

Ops...sua casa ****

acepan acepan     

O Abel é muito estratégico e inteligente...tem que se aposentar de sua profissão no Palmeiras, onde encontrou sua cada, sua cara....parabéns....

Danilo Souza     

Fica abel uns 10 anos no verdão,olha o ex do klopp.

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