1/7/2020 10:11

De camisas gratuitas a possibilidade de se candidatar a presidente: veja o que os planos de sócio-torcedor oferecem em tempos de pandemia

Não são poucos os clubes brasileiros que têm os programas de sócio-torcedor (ST) e as bilheterias dos jogos como pilares sólidos de suas finanças.



Em 2019, segundo estudo da consultoria EY, 16% de todas as receitas que circularam no futebol vieram do que foi gerado por essas duas fontes. Os R$ 952 milhões aferidos na temporada no ano passado compõem um recorde histórico e representam um crescimento de 20% em relação a 2018, e de 242% em relação a 2010.

Recortando apenas o que advém do sócio-torcedor, de acordo com levantamento da Feng Brasil, especializada nesse mercado (atua no Flamengo, Santos e Vasco), os clubes da Série A do Brasileiro de 2018 tiveram faturamento de R$ 390 milhões com seus planos.

Mas os balanços de 2020 devem praticamente zerar a linha “bilheteria” de suas planilhas, já que o cenário de evolução da pandemia de COVID-19 promete jogos sem público até pelo menos o fim do ano. E, consequência direta, a tendência é que os programas de ST também tenham forte queda.

Existem, porém, no que diz respeito aos programas, modos de se atenuar essa tendência com ações que deveriam ter começado antes da crise, mas que ainda podem ser tomadas.

O ESPN.com.br entrevistou especialistas, falou com os gestores e obteve informações de alguns dos planos mais importantes do País - Brasileiro, Internacional, Santos, Atlético-MG, Bahia, Ceará e Fortaleza.

Primeiramente, para entender o impacto que a diminuição da receita obtida com ST gera nos caixas - lembrando que as bilheterias já não existirão.

Depois, para conhecer os mecanismos e as vantagens que cada plano pode oferecer e está oferecendo para que o fã de esportes associado a eles decida se vale a pena permanecer adimplente e filiado ao de seu clube.

Vantagens, exclusividades e até a chance de se candidatar a presidente do clube aparecem como benefícios de alguns planos.

“O tempo foi passando, e muitos clubes ficaram apenas na questão do acesso às partidas, o que pode ser pouco”, diz Cesar Grafietti, economista e consultor de gestão e finanças do esporte do Itaú.

Em outras palavras, os planos de ST que quiserem ter sucesso e cumprirem suas funções de manter um fluxo de caixa precisam tratar o jogo em si como mais um “detalhe”.

Plano de fidelidade e título de eleitor

A primeira lição de Cesar Grafietti já foi compreendida por parte dos gestores antes mesmo da pandemia, como se verá abaixo.

“Além das partidas, o programa tem que oferecer vantagens, como descontos, acúmulo de pontos, conteúdos exclusivos”, lista ele.

O “Avanti” do Palmeiras concede, por exemplo, entre outros, dá descontos de até 20% em redes de grandes drogarias e em mensalidades da faculdade FAM, pertencente ao grupo que patrocina o clube.

“E pedimos a ajuda dos nossos associados de fora da capital (São Paulo) com sugestão de parceiros locais”, disse Roberto Trinas, diretor executivo de marketing do Alviverde.

O programa do Internacional dá descontos até em serviços bastante conhecidos de streaming de músicas, filmes e séries, contou Nelson Pires, vice-presidente estatutário colorado.

Mas esse é o primeiro passo. Um segundo, mais ousado, costuma ser bem mais efetivo: conceder ao sócio-torcedor o direito de participar da vida política do clube, podendo votar e até mesmo ser votado nas eleições para o conselho deliberativo e até mesmo para presidente.

“Os planos que permitem isso tendem a ter quedas menos acentuadas”, diz Grafietti.

Dentre os clubes ouvidos pela reportagem, Bahia e Internacional relatam boas experiências com tal permissão.

Nas duas agremiações, o sócio já tem direito a voto com um ano de associado.

“E, com dois, você pode até se candidatar à presidência”, explica Fábio Costa, gerente do Esquadrão, o programa de ST do Bahia.

Com essa e outras ações, o clube do Nordeste vem mantendo média de 30 mil sócios adimplentes por mês, a despeito da pandemia.

Os sulistas, que têm um dos planos mais antigos e robustos do mercado, veem inclusive um certo crescimento na sua base, que gira em torno de 120 mil associados, mesmo na pandemia.

É evidente que não é apenas o direito de participar da vida do clube que vem garantindo a consistência dos dois programas. Nos dois casos, há inúmeros ações fazendo a sustentação.

Mas, certamente, perder a chance de ter “voz” na administração pesa na hora de se abandonar o pagamento do “carnê”.

Experiências e vantagens futuras

Conceder vantagens futuras também é uma das principais apostas do Palmeiras. Os valores de mensalidades de 2020 do Avanti serão integralmente revertidos em descontos para ingressos dos jogos do clube no ano que vem - além de gerarem vouchers de 40% de desconto por produto para compras nas lojas oficiais.

“A ideia de garantir facilidades e um lugar no ‘início da fila’ quando tudo isso passar é um argumento sólido”, observa o consultor Cesar Grafietti.

Outra maneira de garantir a manutenção do número de associados é conceder experiências exclusivas. Parece algo básico, mas a maioria dos clubes não faz.

No Atlético-MG, segundo relatou Américo Rincón, gerente do “Galo na Veia”, os sócios escolheram como seria uma camisa especial do clube, sem patrocínio, por meio de um concurso exclusivo.

Com a intenção de inaugurar uma nova arena em cerca de dois anos e meio, o Galo promete vantagens no acesso à casa nova no futuro.

No Ceará, o desconto de R$ 70 para comprar a nova camisa do time é apenas uma das 15 ações que o clube oferece ao sócio, conta Veridiano Pinheiro, diretor do “Sócio Vozão”, que vão de lives a acesso a conteúdos exclusivos.

O Bahia, que também oferece 15 benefícios - o desenho do plano foi feito pela mesma empresa -, vai dar ao associado adimplente a camisa oficial com que o time vai jogar em 2021.

Mesmo em meio à pandemia, e pensando em diversificar a oferta de serviços, o Fortaleza lançou um aplicativo para seu ST, por onde será possível comprar ingressos, itens licenciados e acessar conteúdo exclusivo.

"É um investimento para que o torcedor tenha acesso mais rápido e eficiente e poder consumir o material do clube, numa única plataforma que vai integrar todos os serviços", explica o presidente Marcelo Paz.

Descontos, Anistia e ‘dever’

Se muitas vezes manter o associado se mostra um problema, trazer de volta um que tenha partido pode ser uma boa estratégia.

O Ceará, por exemplo, logo na primeira semana de paralisação já concedeu 30 dias a mais de gratuidade ao fim do contrato de ST. Mas foi além.

Por meio de negociações individuais e aproximação com sócios em atraso ou com planos perto do fim, o Vozão conseguiu dobrar os 11 mil sócios que tinha em dezembro de 2019.

Agressivamente, o clube cearense também concedeu mais dois meses de gratuidade, totalizando 90 dias.

O Bahia também fez concessões para perdoar e reabsorver inadimplentes. Débitos podem ser parcelados em até 18 vezes.

Já os descontos, que também parecem um caminho fácil, não foram usados por todos os clubes.

O Santos aderiu às reduções e avalia ter tido sucesso, já que manteve a mesma faixa de sócios do início da quarentena. Em 31 de março, eram 24.237 sócios. Em 26 de junho, 24.189.

O clube da Vila Belmiro divulgou um manifesto, apelando ao torcedor que não debandasse, pois o clube precisa dessa receita. Mas, para reforçar o argumento, o Peixe aplicou preços promocionais nos planos do Sócio-Rei, com descontos de 25% a 50%.

Desde o começo de abril, 6.249 pessoas renovaram ou aderiram ao Sócio-Rei.

O Athletico-PR também apelou ao dever do torcedor de ajudar o clube para não conceder descontos ao associado. Uma carta aberta foi emitida para os associados pedindo sacrífícios. O conteúdo não foi bem recebido por seus destinatários.

O Internacional também não deu descontos, e seu vice-presidente explica por quê.

“Numa mensalidade média de R$ 50, se dou 20% de desconto, alivio R$ 10 do sócio. Mas se tiro 20% da receita que o clube afere, perco R$ 1,5 milhão dos R$ 7 milhões que arrecado por mês, R$ 18 mi num ano”, demonstra Nelson Pires.

Bola rolando
Avaliando os discursos e mecanismos, percebe-se cada vez mais claro que manter os benefícios do programa limitados apenas a entrada nos jogos dá pouca consistência a algo que se mostra cada vez mais vital na sobrevivência das agremiações.

Mas também é fácil concluir que são os jogos que fazem com que o torcedor decida desembolsar uma quantia que muitas vezes lhe faz falta para se associar.

Por mais que vantagens, experiências, voto e voz tenham apelo, se a bola não rolar - para que o torcedor assista a seu time -, não haverá estratégia milagrosa para assegurar a manutenção dos caixas por muito tempo.

O que não quer dizer que a “lição de casa” não precise ser feita. E que as medidas de segurança não devam ser observadas.



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