"Não vim aqui para ter férias, vim aqui para ganhar." Essas foram as primeiras palavras de Abel Ferreira ao ser apresentado como técnico do Palmeiras, no dia 4 de novembro de 2020.
Um discurso forte, e até ousado, mas certeiro. Em três anos, o português empilha recordes no Verdão e tem a chance de conquistar mais um: o posto de técnico com mais títulos na história do clube, ao lado de Oswaldo Brandão.
Abel comanda o Alviverde na disputa pela Supercopa Rei, às 16h deste domingo, no Mineirão, contra o São Paulo. O português ostenta nove títulos pelo Palmeiras e está isolado na segunda posição do ranking, após superar Vanderlei Luxemburgo, em dezembro do ano passado, com a conquista do Brasileirão.
Caso vença o São Paulo na Supercopa, chegará a 10 taças e igualará Oswaldo Brandão como o mais vencedor da história. Abel Ferreira ainda terá a chance de ultrapassar Brandão, uma vez que tem contrato até dezembro de 2025, renovado no início deste ano, e só nesta temporada ainda disputa os títulos do Paulista, Copa do Brasil, Brasileirão e Libertadores.
É fato que a longa duração de treinadores se tornou raridade no futebol brasileiro, mas o Palmeiras tem essa postura como filosofia. Ainda houve dúvidas sobre o futuro de Abel ao fim de 2023, por conta do interesse do Al-Sadd, do Catar, mas o treinador ficou.
O plano de Leila Pereira, aliás, é de oferecer um novo vínculo até o fim de 2027 caso seja reeleita no fim deste ano. Desde 2020 no clube, o português fez três anos de Palmeiras em outubro e tornou-se o primeiro treinador do clube a completar esse tempo de trabalho ininterrupto neste século.
O último a atingir a marca havia sido Luiz Felipe Scolari, entre 1997 e 2000. Somente Abel, Felipão e Brandão, inclusive, tiveram trabalhos com mais de 200 jogos em uma única passagem pelo Verdão.
Nenhum dos outros dois, porém, ergueu tantas taças quanto o português nestas passagens. Abel é ainda o treinador com mais títulos internacionais, mais finais disputadas e o único a vencer nove títulos em uma só passagem.
Detalhe que, apesar dos recordes empilhados, o treinador rechaça o “individualismo” na história. Faz questão de dividir os feitos com o elenco, comandado por ele - entre idas e vindas - desde novembro de 2020.
Foi o que disse, inclusive, ao ser questionado se essas possibilidades de recordes mexem com ele em meio a tantas conquistas. – Não é eu. É nós. E posso dizer que fico até incomodado quando associam algumas conquistas ao Abel. Não fiz nenhum gol até agora. Faço parte, como os meus jogadores. Erro e acerto como eles, nós juntos ganhamos e juntos perdemos - disse o treinador, antes de enfrentar o Bragantino no Paulista.
No domingo, na beira do campo e com o elenco alviverde em campo, porém, terá a oportunidade de alcançar novos recordes, assim como os próprios atletas: Weverton, Gustavo Gómez, Mayke e Marcos Rocha podem igualar Dudu como atletas com o maior número de títulos pelo Palmeiras, com 12. Luan, Raphael Veiga, Rony e Zé Rafael podem chegar a 11, e Gabriel Menino pode alcançar 10.
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